Ecos de Umberto
Os
romances de Umberto Eco
Marco Aurélio Baggio
Pode-se afirmar que Umberto Eco disponibiliza sua
vasta cultura em seus ricos romances para elucidar a dimensão paranóide dos
seres humanos.
Umberto ecoa com maestria as cordas sensíveis da
psique dos humanos em sua celerada busca de decifrar um complô desde sempre
armado por seitas esotéricas secretas, com o objetivo de dominar o mundo. Os
malignos, os infernais, agem de maneira insidiosa, subreptícia, sempre
intencionados a sobrepor-se e a subjugar as almas boas e ingênuas.
Os diabólicos estão em toda parte, agindo sempre
camuflados, por vezes insinuando-se malvadamente, dando presença de si apenas
como a ponta de 10% de um iceberg.
Os malignos transvestem-se habilmente, trocando de
nomes e de roupagens, para melhor operacionalizar seus objetivos de dominação.
Há sempre um PLANO secreto urdido por alguém poderoso com intenções malignas sobre nós, as
pobres vítimas. Umberto Eco afirma em seus vários romances, que basta alguém
propalar que existe um Plano para que o Plano entre em execução. Por mais
estapafúrdio que seja. Aliás, diz Eco, quanto mais inverossímel fôr, maior é a
chance de o Plano ser acreditado.
Isso porque os seres humanos adoram ficar
maravilhados, adoram o irreal e propendem a dar crédito ao impossível.
A História é
cheia de sociedades secretas. Um grupo de adeptos se congregam em um
contubérnio e ali gestam revelações esotéricas, conhecimentos falsos
privilegiados, estabelecem rituais e hierarquias e se assumem como pessoas
especiais, dotadas de conhecimentos e de poderes fabulosos, postando-se como
ascendentes por sobre os demais contemporâneos.
Em O Nome da Rosa, seu primeiro espetacular romance, Umberto
Eco realiza seu desejo infantil de matar monges e incendiar um mosteiro
medieval, tecendo espetacular trama na qual um monge cego defende sua
Biblioteca contra a curiosidade dos demais, escondendo o livro sobre o riso de
Aristóteles.
Nesse romance de abertura, Eco exibe, apresenta-se
como hábil professor de semiologia e erudito conhecedor do que de melhor houve
na Idade Medieval.
Discípulo de Jorge Luiz Borges, Umberto delineia
como cenário uma labiríntica biblioteca, na qual está colecionada grande parte
do conhecimento humano graças ao ingente e fecundo trabalho dos monges
católicos copiadores dos livros que lhes chegam de todas as partes do mundo e
os quais permutam.
Já em O Nome de Rosa um velho Abade paranóico
defende sua verdade supervalorizada na crença de estar protegendo da devassidão
seus preceitos cristalizados. Há um complô armado, em operação, que seu
personagem Guilherme de Baskerville
procura decifrar e desmontar, a partir de indícios semiológicos. Trata-se
de obra detetivesca, na qual a razão esgrima, vence e perde, contra a
obtusidade da paranóia. O espaço cênico é a Biblioteca do grande mosteiro, seus
livros e a tradição cultural proveniente da antiguidade clássica.
Em 1980, Umberto Eco quis escrever um romance. Monge medievalista diletante que é,
quis perguntar-se:
-Onde
estão as neves de outrora?
Passou a
escrever por puro amor à escritura. Dos grandes de outrora, as cidades famosas,
as belas princesas, tudo se esvai no nada. De todas essas coisas desaparecidas
só nos restam puros nomes.
A ultima frase do romance, em latim é:
stat rosa prístina nomine, nomine nuda tenemus.
“ a rosa do passado é (resta) apenas um nome,
simples nome (puros, nus, crus) nos são legados.”
Ou ainda melhor
traduzido:
A rosa de antanho apenas sobrevive em seu nome;
os nomes são tudo o que temos.
Umberto Eco
mistura hábil e acreditávelmente realidade, pesquisa, pretensão, dados
históricos com ficção e erudição.
A rosa é uma figura simbólica densa de significados:
floral, perfumosa, mística, os rosa-cruzes, romântica, a guerra das duas rosas,
uma rosa é uma rosa.
Umberto Eco começou a escrever em março de 1978,
movido por uma idéia seminal:
“ Eu
tinha vontade de envenenar um monge.”
Assim, retirou da hibernação o medievalista que é,
uma vez que possui um conhecimento direto da Idade Média européia. Essa é a
idade da infância européia envelhecida de hoje.
Livros de alta literatura sempre falam de outros
livros e nada é mais original e instigante do que aquilo que já foi publicado.
Há tantos livros magníficos que ninguém mais lê. Daí ser necessário contar de
novo e diferente, uma história já contada.
“Eu digo que Vallet dizia que Mabillon dissera
que Adso disse...”
Para contar
é preciso construir um mundo. Para isso, Eco dispendeu um ano de pesquisas
sobre os livros e as crônicas encontrados em uma biblioteca medieval. Precisava
situa-la entre os séculos XIII e XIV, colocando em cena um investigador
franciscano inglês conhecedor de Occam, e portanto, familiarizado com os signos
usados para o conhecimento dos indivíduos.
Situou o romance em uma portentosa abadia no norte
da Itália em fins de novembro de 1327.
“Eu queria um cego como guardião de uma
biblioteca e biblioteca mais cego só podia dar Borges”.
Outra idéia reitora foi criar um labirinto em
circuito fechado.
Convoquei um noviço, Adso. Ele conta aos 80 anos
refletindo sobre o que viveu e ouviu quando jovem. Ele, Adso, atravessa os
acontecimentos históricos, os eventos políticos, os mistérios esotéricos, as
ambiguidades relacionais e, até, se imiscui
em debates e confrontos teólogicos com a vivacidade da memória
retrograda de adolescente e a incompreensão da maioria dos eventos por parte de
sua noviça idade.
“Eu queria fazer o leitor compreender tudo
através das palavras de alguém que não compreendeu quase nada.”
Escrever é querer revelar o leitor para si próprio.
Um texto quer ser uma máquina de provocar interpretações possíveis, diversas,
uma experiência de transformação para o próprio leitor.
O pós-moderno é uma categoria espiritual, um Kunstwollen,
um modo de operar. Sterne e Rabelais são pós-modernos e Borges também o é.
Um romance histórico deve não apenas identificar no
passado as causas do que aconteceu depois, mas também desenhar o processo pelo
qual essas causas foram lentamente produzindo seus efeitos.
Se um personagem comparando duas idéias medievais,
tira delas uma terceira idéia mais moderna, está fazendo exatamente aquilo que
a cultura fez depois.
Na disputa política pelo poder entres os
guelfos-partidarios do papa - contra os gibelinos partidários do imperador da
Alemanha –, o noviço beneditino Adso de Melk tornou-se escrivão e discípulo de
um sábio semiologista franciscano inglês, frei Guilherme de Baskerville. Este,
um homem a quem duvidava de que a verdade não fosse a que lhe aparecia no
momento presente. Chegaram a Abadia onde, em sete dias de permanência,
ocorreram sete mortes de monges. As mortes pareciam seguir as maldições das
trombetas do Apocalipse.
Guilherme põe-se a investigar. Descobre os segredos
sujos daquela Abadia. O centro, o fulcro e o motivo da existência daquela
fabrica de conhecimentos recolhidos e replicados era a Biblioteca. Guilherme
percebe que os assassinatos tem relação com algo proveniente da Biblioteca.
Vasculha-a a ponto de bem conhecer seu portentoso acervo, postado em labirinto.
Percebe que há um local, um salão fechado, inacessível. Um livro misterioso
circula pelas mãos de monges que logo amanhecem mortos em posições esdrúxulas,
como que tocados fulminados por agente do Apocalipse.
Um velho monge cego era há 40 anos, o bibliotecário,
Jorge de Burgos, espanhol, de Silos, lugar que de onde proveio os mais belos
Apocalipses de Leão e Castela.
Após peripécias e vicissitudes, Guilherme e Adso
penetram no finis Africae, o salão interditado onde Jorge já os
esperava.
Um duelo de ferozes inimigos que se admiram têm
lugar. O tema é o riso. Jorge escondera delirantemente o livro sobre a comédia
perdido de Aristóteles. Ele parte dos Komai, celebração jocosa nos
vilarejos gregos, dos camponeses, após uma festa. Aristóteles vê em seu segundo
livro o riso como uma força boa. Jorge julgou ser seu dever cristão defender a
dignidade de sua biblioteca e por conseguinte, proteger a Abadia e a
cristandade do poder persuasivo do filosofo. Cada uma das palavras do
Estagirita Aristóteles viraram o mundo das crenças místicas católicas da cabeça
para baixo. Mas ele (ainda) não chegou
a virar de cabeça para baixo a imagem de Deus. A idéia e o respeito a Deus
permanecem intacto.
Aqui, nesse livro, o riso deixa de ser vil, banal,
defesa fácil para os simples da plebe.
Nesse livro, o Filósofo inverte a função do riso:
este é elevado à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz-se dele
objeto de filosofia, e de pérfida teologia.
O riso libera o aldeão do medo do diabo, insinuando
que isso é sabedoria. Como impor a lei sem o medo? Cujo nome é temor a Deus?
Esse livro promulga a panacéia, como remédio
milagroso contra o medo e a submissão à comedia, à sátira, ao mimo e até o
deboche das coisas serias do sagrado.
Diz outro filosofo grego que se deve desmantelar a
sociedade dos adversários com o riso, e adversar o riso com a seriedade.
Mas se um dia—e não mais como exceção plebéia, mas como ascese de douto, consignada ao testemunho
indestrutível das escrituras - se
tornasse aceitável e aparecesse nobre, e liberal, e não mais mecânica, a arte
da irrisão, se um dia alguém pudesse exclamar ( e ser escutado):
Eu rio-me da Encarnação...
Se um dia
torna-se aceitável como nobre e douta a arte da irrisão, então não
teríamos armas para deter a blasfêmia de as forças obscuras da matéria corporal
do peido e do arroto arrogarem a si o direito que é só do espírito cristão de
soprar onde quer que queira!
Paranóico Jorge de Burgos, o cego bibliotecário da
Abadia detentora da maior biblioteca da cristandade, se arroja de presunção de
interditar acesso ao último exemplar do livro em papel de pano, o segundo livro
de Aristóteles sobre a comédia.
Se o riso e
a ironia do bom humor passam a ter a chancela do Filósofo, está aberta as
portas para as sendas orgulhosas da razão natural, baseadas em meros indícios
terrestres distanciados irremediavelmente dos preceitos sagrados. Com esse
livro sobre o riso, a comédia e a ironia, os textos arduamente entretecidos
pelas convolutas formulações dos Padres da Igreja se tornariam matéria de livre
interpretação. Perderíamos o poder de impingir culpa sobre as almas simples dos
pecadores aldeões. Daí, desapareceriam sua submissão e, ao mesmo tempo, nosso
poder, nossa ascensão. Perderíamos o chicote do medo, debochado pelo riso. Logo
o medo, talvez o mais benéfico e afetuoso dos dons divinos?
O homem passaria a querer na Terra a abundância
própria do país da Cocanha.
Era preciso impedir isso, foi o que fiz. Eu fui a
mão delirante de Deus.
Jorge passa a devorar as folhas por ele envenenadas
do livro. Foge na escuridão.
Adso acende o lume, cai óleo sobre livros e dá-se a
ectopirose. Queima a Biblioteca e, logo, toda a Abadia.
Umberto Eco disse que sempre quis incendiar uma
biblioteca medieval.
Jorge temia o segundo livro de Aristóteles porque este
talvez ensinasse realmente o rosto de toda a verdade, a fim de que não nos
tornássemos escravos de nossos fantasmas.
Talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir
da verdade, fazer rir a verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos
libertar da paixão insana pela verdade (absoluta). p.552
Não há ordem no universo.
Que diferença há então entre Deus como um ser
necessário totalmente entretecido de possível e o caos primigênio?
Isso não demonstra
que Deus não existe? p.553
Onde estão as neves de outrora?
“ A rosa do passado é apenas um nome, simples nome
(nus,crus) nos são legados”.
O Pêndulo de Foucault apareceu em 1989. Um grupo
de amigos editores Belbo, Diotallevi e Causabon vivem em contato com textos da
mais diversa ordem na editora do Senhor Garamond.
Por diletantismo, imaginam um PLANO. Estamos na
terceira quadra do século XX e Abulafia, o computador, entra na vida destes
intelectuais. Brincam de rabinos, querem explicitar os infindáveis 720 nomes de
Yaveh.
Umberto Eco está fascinado com a máquina que
trabalha maravilhosamente rápido para tentar decifrar os segredos do mundo.
Pressupõe-se a existência de um Plano que está em
curso, acionado por alguns. Será a herança de um conhecimento hermético
possuído pelos Templários?
Os nobres cavaleiros medievais que defendiam o
Templo de Salomão em Jerusalém, na Palestina, tornaram-se imensamente ricos e
poderosos, graças a sua Ordem. Felipe, o Belo, rei da França, endividado e
invejoso e o Papa Gregório VI
mancomunaram-se para apossar-se das riquezas dos Templários, condenando
à fogueira Jacques de Molay, seu mestre. Dessa conspiração macabra, seguida
pelo destino confuso dos remanescentes, surgiu a lenda de que, de alguma forma
secreta, os Templários sobreviveram e sobreviviam em varias partes da Europa. E
mais, seriam detentores de um conhecimento secreto especifico, que
permitia-lhes dominar as coisas do mundo.
Causabon passa uma noite ritual escondido em Saint-
Martin- des – Champs que tinha sido
concebido como museu revolucionário como silogeu das ciências ocultas.
Onde, em 1855, foi instalado por Foucault um enorme pêndulo para provar a
rotação da Terra. Esse pêndulo funciona como um axis mundi, o fulcro, o
eixo, o centro do planeta Terra, em torno do qual tudo gira e adquire sentido.
Põem-se a cata do segredo dos Templários. Em
bibliotecas bisbilhotadas encontram um mapa, um hieróglifo, proveniente de
Provins, onde, supostamente os Templários possuíam um Templo. Após vicissitudes
pirlimpsiquistas, rocambolescas, Causabon, nome de personagem literária,
descobre que o mapa de Provins não passava de um rol de roupa enviada para a
lavanderia.
Não havia conhecimento secreto nenhum proveniente
dos Templários. Contudo, basta propalar, induzir, aludir, sobre a existência de
um PLANO para que ELES partam em busca do PLANO de dominação do mundo, como uma
alcatéia de cães. Todos querem acreditar na existência de um Plano ordenador
maior que daria sentido às suas vidas e
consequência ao arrevezo dos acontecimentos do mundo.
E mais, todos querem vir a se inserir, a vir a
participar do Plano, adquirindo assim, um novo poderio pessoal em contraposição
ao descolorido fátuo de suas vidas. Em O Pêndulo de Foucault Umberto Eco exibe com maestria seus
conhecimentos sobre a História européia nos anos 1800-1900 com a fabulosa trama
das sociedades secretas: os Rosa-cruzes, os jesuítas, os maçons, a Okrana, os
Assassinos, o conde de San Germano e até, o candomblé baiano.
Um escritor de alta literatura é um inseto antenado
para uma melhor verdade dos tempos. Nesse romance , Umberto Eco, para mim,
desmistificou, em definitivo, a inexistência de conhecimentos secretos em
qualquer que seja a seita ou sociedade secreta.
Por mais que ansiamos pela sublimidade de um
conhecimento elitizante ou que queiramos uma chave maior para esclarecimento
das coisas tontas e tortas do mundo, tal conhecimento não é detido por nenhum
conspirador nem por entidade secreta alguma, simplesmente porque tal
conhecimento, tal mapa alardeado, tal
chave operativa não existe. Não passa de um rol de roupa suja.
Segundo Resumo
Comporta-te como estúpido e te tornarás impenetrável
por toda a eternidade. Abracadabra, Manel Tekel Phares, Papai Satã, pó de
pirlimpimpim, sempre que uma autoridade emite borborigmos sem significado, a
humanidade leva séculos para decifrar sua mensagem.
Os Templários permanecem indecifráveis por causa de
sua confusão mental. p.104
O Pêndulo de Foucault é um dispositivo
instalado em Saint-Martin-des-Champs em Paris, em 1855, em que um ponto de
suspensão permanece fixo enquanto a esfera de 28 quilos do Pêndulo oscila,
provando a rotação da terra.
Umberto Eco utiliza as 10 estações- as sefirotas, as
sefiroths- da Cabala judaica para marcar os capítulos nodais de seu romance.
Havia um plano, inventado por nós: Causabon, Belbo,
Diatollevi. Iniciava-se o contato com Abu, o Word processor, o
Computador: Abulafia. Descobre-se os 720 nomes de Deus.
Todos falam dos Templários e não dos Cavaleiros de
Malta. p. 81 ou dos Cavaleiros de Cristo dos portugueses ou sobre a ordem dos Teutônicos. p. 121
Sistema de decifração – Maçons. Eco passa a enumerar
e a descrever O. Velocino de ouro.
Avalon. Lendas Celtas, druidas, arianas. Agartha. Cabala. Magia. Alquimia.
Hermes Trimegisto.
Sr. Agliè
p.164 Cagliostro. Ísis.
Candomblé dos negros da Guiné, na Bahia.
Umbanda dos negros Bantos angolanos em sincretismo com os índios e os
brancos católicos. Exu poderoso na Umbanda.
p.174
O mundo é monótono, os homens não aprendem nada e
recaem a cada geração nos mesmo erros e horrores, os acontecimentos não se
repetem mas se assemelham, acabam-se as surpresas, a novidade, as revelações.
p. 174
Rosa-Cruzes.
A grande irmandade branca é detida pelos Senhores do
Mundo que se difunde por meio do segredo e da dissimulação. Há um segredo que
está além das religiões reveladas. De que outra forma para que viver, se tudo
fosse assim como parece? p.198
A Cabala: Geburah ou Pachad, ou Terror. Onde
entra o mal. A ruptura dos vasos.
A volta do
Brasil. Os Motocallemim teólogos radicais muçulmanos do Templo de
Avicena. p.204
O Pêndulo de Foucault está firme com a terra que
gira embaixo dele em qualquer lugar que se encontre. Qualquer ponto do universo
é um ponto fixo, basta prender-se a ele o Pêndulo. p.228
Os Altos
graus da maçonaria do Rito Escocês antigo e aceito. São profusamente
descritos. p.229
Anuário de todas as sociedades secretas que existem
no mundo. p.252/3
Os diabólicos com interesses ocultistas eram legião.
p.255.
O mundo pulula
de Templaristas, de rosacrucianos e de maçons.
Não será
deles que se pode esperar uma revelação valiosa. p.334
O que se objetiva é encontrar e dominar as correntes
telúricas do poder mundial. A Kundalini. A serpente localizada na porção
terminal da coluna vertebral que, uma vez despertada, detém enorme poderio
pulsional.
Alquimia: a
obra em rubro.
Os Templários descobriram o Umbilicus Telluris.
Seria necessário, contudo, esperar 600 anos para haver o desenvolvimento
tecnológico adequado para se assenhorar desse poderio cósmico.. p.430
Os protocolos de O Cemitério de Praga estão
nas pàginas 460 – 465.
Toda sua
genealogia já está aqui descrita. E
depois encontrei por acaso, no capitulo
6 – Protocolos Ficcionais, no livro Seis Passeios pelos bosques da
ficção. ps. 123 - 147. 1994. Lá
está descrito, com antecedência de anos, todo o esquema de urdidura dos Protocolos
dos sábios de Sião.
.A mensagem de Provins é um rol de roupa. Eis o que
Lia decifra. p.507.
O plano que vocês urdiram é grotesco, está cheio de
segredos, porque está cheio de contradições.
O mal de se fingir é que todos nos acreditam.
Como lhes disseram que Deus é complexo e insondável,
eles acabam acreditando que a incoerência (e a obscuridade) é a coisa mais
próxima da natureza de Deus. O inverosímel é a coisa mais parecida com o
milagre. p.574
Há diversos Poderes em ação? Ou há um só Poder, o
circulo dos Verdadeiros iniciados? p.525
Um segredo iniciático revelado não serve para mais
nada. Belbo para Agliê. p.527
Agliê supunha que a história de Belbo e a nossa
fosse verdadeira, queria o mapa. p.532
Garamond também pertence à mesma Cavalaria
espiritual. p.536
Misturar as letras do livro significa misturar o
mundo . Procuramos refazer nosso corpo por meio da linguagem. p.539
Não havia segredo nenhum. ( eis o cerne da
desmistificação absoluta para mim MAB). p.541
Agora estavam à espera de uma revelação.
Estávamos envoltos, enfaixados, seduzidos pelo
complô. p.551
Fale ! estamos em Hod, a sefirah do esplendor, da
majestade e da glória.
-
Ora,
vá destapar o rabo... redarguiu Belbo. p.568
Belbo é enforcado no Pêndulo, digo, teria desenhado
no espaço a árvore das sefirot, resumindo em seu momento extremo o próprio
acontecer de todos os universos. p. 570
Havia ele próprio se tornado um ponto de suspensão,
o Perno Fixo, o lugar no qual se sustém a abóbada do mundo. Belbo havia tido
Hod, a sua Glória. Um só gesto impávido o havia reconciliado com o absoluto.
p.571
Nada é por acaso. Visões de peixes no aquário do
restaurante.
A única maneira de causar constrangimento no diabo é
acreditar que não acreditamos nele. p.585
Se deve haver um complô, deve ser secreto. Ele nos
levaria à salvação. A condição é não conhece-lo nunca. Revelado, não poderia
senão desiludir-nos.
Possuímos uma tensão para o mistério.
O mistério trinitário? Fácil demais, deve haver algo
por trás disso.
A cebola é toda uma casca. p.594
A teoria social da conspiração...é uma conseqüência
da falta de referência a Deus, e da conseqüente pergunta.
-
Quem está em seu lugar? Karl Popper.
-
A resposta é banal e absoluta: ninguém e nada. MAB
A mensagem de Provins não passava de um rol de
roupa. Jamais tinha havido reuniões de Templários na Grange-aux-Dimes. Não
havia Plano nem mensagem alguns. p.591
As pessoas têm fome de planos, se você lhes oferecem
um, caem em cima como uma alcatéia de lobos. Basta inventar que crêem. Não é
necessário aparenta-lo mais imaginário do que de fato é.
Inventamos um Plano inexistente e Eles não só o
tomaram por bom, como também se convenceram de que estavam nele desde muito.
Mas se inventamos um plano os outros o realizam, o
Plano é como se existisse, logo, passa a existir.
Se o ser é
assim vazio e frágil a ponto de suster-se apenas sobre a ilusão daqueles que
buscam o seu segredo, então não há redenção, somos todos escravos, dai-nos um
patrão, que o merecemos... p.596
Por que amar o Destino? Se te mata tanto quanto a
providência e o complô dos arcontes? p.611
Inventa, inventa o Plano, Causabon. Foi o que
fizeram todos, para explicar os dinossauros e os pêssegos.
Compreendi: a certeza de que nada havia para
compreender.
Ainda querem
o Mapa.
Matem-me mas o Mapa não existe, não digo, que
ninguém aprende a ser esperto sozinho...
Estão cegos à revelação. Malkut é Malkut - a lei do Reino, onde se exilou a sabedoria.
O próprio mistério está no não-ser, nem que seja por um momento, que é o
último. Depois recomeçam os Outros.
Em A Ilha do dia anterior de 1995, Eco exibe seus
conhecimentos como geômetra e como navegador oceânico. Começa a interpelar e a
discutir sobre a tão forte idéia de existência de Deus.
Para espíritos melancólicos, para quem todo sinal de
sorte é uma promessa de infaustas consequências. p.20
O infeliz praticava o mal para preencher o seu
abandono de órfão, ofendido pelo espetáculo de seus pais, que se esmeravam em
cuidados com o outro irmão. p.31
Quando a guerra chega, tudo se estraga. p.36
A própria
composição deste nosso Universo, formado de corpos primordiais fervilhando no
vazio. p.43
Ah! A guerra é uma besta feroz. p.55
Sabemos que a alma morre com o corpo.
Preparemo-nos para aquele momento (final)
desfrutando a vida que nos foi dada pelo acaso e por acaso.
Senhor, a primeira qualidade de um homem de valor é
o desprezo pela religião que nos quer temerosos da coisa mais natural do mundo
que é a morte. p.64
Amigos, como podeis chamar piedosa uma divindade que
quer a nossa infelicidade eterna somente para aplacar a sua cólera de um
instante? Nós devemos perdoar o nosso próximo e ele não? E deveríamos amar um
ser tão cruel?
Se a idéia de deus não é conhecida no estado da
natureza, deve, portanto, tratar-se de uma invenção humana... p.83
A tarefa de um romance é ensinar deleitando, e suas
lições consistem em tornar reconhecíveis as armadilhas do mundo. p.84
O romance deve ter como fundamento um equivoco, de
pessoa, ação ou lugar, tempo ou circunstância.
Para entender a Cousa Pensante ou nossa maneira de
conhecer o mundo usamos desde Aristóteles, a Trama das Palavras, Idéia
Perspicaz, porque é apenas o dom da artificiosa eloquência, que nos permite
entender este Universo. p.91
Só a Metaphora, a mais aguda e peregrina das Figuras
(da linguagem) é capaz de causar Maravilha, da qual nasce a Deleitação. p.93
A grande maquina do mundo é infida e afanada pelas nesquicias do Acaso.
p.111
Os homens adoram ficar maravilhados. p.116
A maior parte das coisas pode-se pagar com palavras.
Mas se o mundo é infinito, será tanto infinito no
espaço quanto no tempo, e será pois eterno; e, se existe um mundo eterno, que
não precisa da criação, então será inútil conceber a idéia de Deus.
Encontra
o Punto Fijo. É o mistério das longitudes.
Não há nada
como o dinheiro para estimular as boas inclinações.
Cardeal Giulio Mazzarino. p.186
Não afirmai jamais, aludi sempre: as alusões são
lançadas para examinar os ânimos e investigar os corações.
Quem encontrasse uma forma para estabelecer os
meridianos seria o senhor dos oceanos! p.216
O Primeiro resultado da criação foi a da
Matéria-Prima, informe, sem dimensões, qualidades, propriedades, tendências,
puro caos primordial, hylé que não era ainda nem luz nem trevas. p.251
Taveuni ou então Qamea. Ilhas nas Fidji. Mar de
Koro. Arquipélago da Melanésia. 180
graus de longitude. Encaixada na Linha Internacional de Mudança de Data.
Para ouvir histórias é preciso suspender a incredulidade. P.255
A Redenção?
Um falso argumento.
Porque cada um de nos é aquilo que seus atos
criaram. p.429
Todo o globo da Terra nada mais é que um cemitério
vivo. p.449
Entrei na vida sabendo que a lei consiste em sair
dela. p.451
Iguais a uma vela, começamos a dissipar átomos desde
o primeiro instante em que fomos acessos.
A vortilhonar das galáxias. p.456 Expressiva e belíssima frase.
Nada mais sou do que uma relação entre as minhas
partes que se percebem, enquanto mantém a relação uma com a outra. p.457
Cada coisa pensa, mas segundo o grau de sua
complexidade. p.458
Na vida, as coisas acontecem porque acontecem; e que
é só no País dos Romances que parecem acontecer por objetivo ou providência.
p.489
Em A Ilha do dia Anterior, o professor, o
teórico e o literato Umberto Eco escreveu o romance do romance.
Baudolino, de 2001, é uma delicia. Mentiroso contumaz, tudo o que diz é
aceito e tomado pelos outros como verdade pura verdadeira. A trama é tecida em
torno da busca do Santo Graal. Aquela taça fabulosa na qual Jesus de Nazaré
teria tomado o vinho na Ultima Ceia com
os seus doze apóstolos. Essa é umas das lendas especificas da Cristandade.
Umberto percorre os cenários fantásticos descritos
pelo imaginário medieval ocidental, com lugares ricamente descritos, habitados
por seres que compõem a fauna dos seres imaginados e que, delirantemente
fantasiosos, nunca existiram de fato.
As múltiplas peripécias da busca do Graal leva
Baudolino por um rico percurso onde ponteia personagens históricos e seres que
nunca existiram.
Por fim, Baudolino descobre que o Graal não passa do
prato de madeira onde comia seu pai e que ele, Baudolino, trazia sobre a
cabeça.
Mais uma vez, Umberto Eco nos demonstra como a
mítica e a mística ocidental é cheia de fantasias e pobre de resolução. Não há,
nunca houve, nunca existiu um sagrado precioso escondido Graal. Em Baudolino,
um personagem saborosamente mentiroso é
o condutor até uma verdade decepcionante e desmistificadora.
Vamos parar de continuar acreditando em bobagens? Ou
não? Ainda nos é preciso acreditar em tonterias? Talvez.
Pois a vida é dura, é cruez e a medida que vivemos e
envelhecemos é cada vez mais chata.
Sumário
Aos poetas é lícito mentir
sobre as coisas grandiosas. 1143-1155, começa a escrever a Gesta Baudolini
os cruzados saqueando Constantinopla. 14 de abril de 1204.
Filioque: uma simples palavra motivou os
cristãos se esfolarem uns aos outros.
O problema da minha vida é que sempre confundi
aquilo que via com aquilo que desejava ver... p.33.
Presbyter Johannes – nestoriano derivado da sabedoria dos reis
magos. p.46
Nestório: o cristo possui duas naturezas, a humana e
a divina, e também duas pessoas. Maria foi Christotókos, mas não Theotókos.
Os sábios estão surgindo nos studia em
Bolonha e Paris, onde transmitem o saber que é uma fonte de poder. p.53. Morte
de Oto. 16 anos de idade. p.55
Não há prova melhor para a verdade do que a
continuidade dos fatos. Não há nada melhor do que imaginar outros mundos, para
esquecer o quanto é doloroso este em que vivemos. Imaginando outros mundos,
acabamos por mudar também este nosso. p.92
Relíquias são de origem duvidosa mas o fiel sente a
emanação de aromas sobrenaturais. É a fé que as faz verdadeiras. p.102
Os grandes homens são na realidade muito pequenos; o
poder é tudo. P109
Ezequiel teve uma visão bêbada e falida do tempo.
p.111
A traição está sempre presente. No amor, nos
negócios, na política. p.133
Neste mundo não se ganha nada à toa.
p.144
Horacio já havia nos alertando quanto a isso.
Mentirás e eu fingirei acreditar em ti, porque
mentes sempre para o bem. p.157
Pois aquele que conhece a meta, conhece também o
caminho. p.189
Se nossa mente era capaz de conceber uma coisa,
aquela coisa certamente existiria. p.201
Eu já me dedicara à mentira. Melhor que me encerres
no mundo de meus prodígios onde posso decidir quanto são prodigiosos. p.206
As pessoas acreditam em tudo contanto que se lhes
fale dos mortos. p.217
Um basileu pode usar o poder para fazer o bem, mas
para conservar o poder deve fazer o mal.
Qual dessas
duas cabeças de João Batista é a verdadeira? p.236
Essas e outras mais, certamente.
O Graal deve ter sido uma tigela feito essa. p.242
Somente praticando o bem podemos consolar nossos
semelhantes pela falta de um Pai. p.297
O que é a vida se não a sombra de um sonho que foge?
p.311
Seres fabulosos: Ciápodes. p.320. Blêmios. p.322.
Panotos. p.323. Circuncelios.
Cada um pensa como quer, mesmo se pensa mal. p.329
E talvez mandar seja uma paixão muito mais
irresistível do que fazer amor. p.338
O Pai é o que de mais perfeito e distante de nós
pode existir no Universo. O verbo que o Pai gera após haver criado o mundo não
é da mesma substancia que o Pai. É inferior ao Pai. É primogênito, não
ingênito. Não é omooisios da mesma substancia do Pai, mas omoisios
semelhante mas não igual substância.
Encontra Ipásia. p.359
Os sátiros consideram que o pecado original jamais
existiu. Portanto, não é necessária a redenção, e cada um pode salvar-se com a
própria boa vontade.
Jesus valeu apenas para dar-nos um bom exemplo de vida
virtuosa. p.366
Vivia uma há mil e tantos anos uma mulher virtuosa e
sábia chamada Ipásia. Em Alexandria. Foi despedaçada por Cirilo, cruelmente em
Alexandria.Depois Cirilo tornou-se Santo Cirilo pela Igreja Católica.
Aqui, Umberto Eco esboça conceitos caros e claros do
GNOSTICISMO:
Mesmo porque
Deus deixou sombras de verdade nas profundezas dos corações de cada um de nós,
e trata-se apenas de faze-las reaflorar e resplandecer à luz de sabedoria,
assim como se liberta a polpa de um fruto de sua casca. p.371
Por que este Deus nos criou como seres capazes de
odiar, de matar, de fazer sofrer os próprios semelhantes. Um Deus justo teria
destinado seus filhos a tanta miséria? Por que nos criou, para depois expor-nos
ao risco da perdição? p.375
Deus criou os anjos e a serpente com a possibilidade
deles rebelarem-se contra Deus. Encontrou o mal ao seu lado, como a parte
obscura de si mesmo.
Ipásia descreve Deus. p.376. Núcleo do livro.
Deus
difunde-se em Eóns: anjos, arcanjos. São emanações. Como o fogo, ele se
enfraquece até desintegrar-se na multiplicidade e na desordem. Um dia Deus não
mais – sete vezes sete mil vezes o
conseguiu – Conseguiu controlar uma de suas potências intermediarias,
que nos chamamos o Demiurgo. Este criou o tempo. O tempo é uma eternidade que
gagueja. Criou o ar, a água, a terra, o fogo.
Errou tudo, pobre Demiurgo.
Então o mundo é uma doença de Deus?
Se és perfeito, não podes emanar, se emanas adoeces.
Deus perdeu o controle sobre os opostos, onde um bem
combate outro bem. Eis o mal. p.378
Apesar do erro, uma parte do Único permaneceu em
cada um de nós. Devemos encontrar a harmonia entre os opostos, devemos ajudar
os deuses, devemos reavivar estas centelhas, essas lembranças do Único, que
jazem ainda sepultadas em nossa alma e nas próprias coisas. Cada um de nós é
habitado por um Deus menor.
Você é meu Éon, meu Tirano, meu Abismo, minha
Ogdoade, meu Pleroma... p.390
Um inimigo derrotado, se sobrevive, prepara cedo ou
tarde uma vingança. p.396
Eu já fora avisado que o Demiurgo fazia as coisas
somente pela metade. p.402
É muito fácil prometer o que ainda não se tem. p.414
Hóspede é como peixe, começa a cheirar mal depois de
três dias. p.416
Faremos relíquias nunca vistas, porque é delas que
se fala e o preço sobe a cada dia. p.417
Não há nada mais injusto do que castigo para o justo
que pecou, porque para o pior dos pecadores perdoa-se o ultimo dos pecados, mas
ao justo sequer o primeiro. p.431
Durante quase quinze anos, eu trouxera o Greal sem
saber.
Devo manter viva a chama de sua procura pelo Greal:
essa tigela.
Pedra, taça, lança (tigela) pouco importa. O que
importa é que ninguém a encontre, pois, pelo contrário, todos deixariam de
busca-la. p.441
A gente sai pelo mundo buscando uma coisa que não
existe. As coisas que realmente contam são aquelas que já existem, mas não
deves mostra-las a todos, porque a inveja é uma besta medonha. p.441
Fazes uma imagem e depois outros inventam o que
significa.
As coisas
deste mundo são como devem ser. p.455
Tenho três dividas a cumprir.
Nós da Frascheta temos a cabeça mais dura que uma
pedra.
Viajar
rejuvenesce. p.457
Baudolino
foi seguindo para o reino do Preste João...
Daí os Seis Passeios pelo bosque da ficção.
Todo texto é uma máquina
preguiçosa pedindo ao leitor que faça uma parte de seu trabalho.9
Um bosque é
um jardim de caminhos que se bifurcam. 12
O sonho é
uma segunda vida. 21
É ótimo espiar a vida pelo
buraco da fechadura. 23
Não se pode recuperar a idade
da ilusão. 37
Nevoa – neblina
Nerval empregava o tempo verbal
imperfeito, que apresentava a vida como algo efêmero e passivo para inspirar
vaga tristeza em seus leitores. Criava efeitos nebulosos. 48
Melancolia é o mais lídimo dos
tons poéticos.
Poe buscava um eixo em torno do
qual pudesse gerar a estrutura inteira da composição. Encontrou isso no refrão.
51
A morte é o tema mais
melancólico: a morte de uma bela mulher jovem. Daí – O Corvo: Nunca mais! O grande poema de Edgar
Allan Poe.
Desfamiliarização. 62
Jackson Pollock 65
Manzoni descreve o mundo como
alguém que olha-o de cima, como Deus, o Grande Geógrafo.79
Para ler ficção, Coleridge
chamou de suspensão da descrença.
Fingimos que o que é narrado
aconteceu. 81
O Pêndulo de Foucault
está cheio de mistérios verdadeiros e falsos. 82
Kafka 84
O mundo real é o pano de fundo
correto para estabelecer o mundo ficcional. 91
A função do mito é encontrar
uma forma no tumulto da experiência humana. 93
Verdade: o que é.
Divisão linguística de trabalho
erigindo crenças na verdade. 96
A Enciclopédia Total descreve o
que representa uma imagem satisfatória do que chamo de mundo real. 96
Somos tentados a dar forma à
vida através de esquemas narrativos. 105
Existia Ceilão e Taprobana.
Héspero é a estrela da manhã. Fósforo é a estrela Vespertina - É Vênus.111
Saga é corpo ficcional.113
Pessoas tentam imaginar uma
divindade empírica.121
Folhetim finge brincar e no
entanto nos mostra o mundo como realmente é. 124
Você está prestes a acordar
quando sonha que está sonhando – Novalis .131
Um filme, uma obra Cult
é porque há uma forte desconexão nela.
Bíblia é desconexa.
Desencaixada.
Hamlet é a Mona Lisa da
literatura. 134
Esquemas de ação frames-quadros.
Ninguém vive no presente
imediato: ligamos coisas graças a nossa memória pessoal e coletiva. 136
Aleph – o ponto que
contém o universo inteiro. 137 Borges.
Conta história espantosa dos
Templários, Rosa Cruzes.
Maçonaria francesa possui um ramo escocês.
Iluminados. Carbonarios. Protocolos dos sábios de
Sião é fruto da França Oitocentista. 144 A genealogia está no capitulo 6.
Ficção é forma de terapia contra o sono da razão que
gera monstros.
A vida é
cruel.
A
misteriosa chama da Rainha Loana.
Neste romance de 2005, Umberto Eco atribui ao personagem um
acidente vascular cerebral que lesa estruturas cerebrais especificas, com perda
de parte de sua memória afetiva e acarreta o desconhecimento da sua identidade
biográfica. Mantém-se preservado contudo, a capacidade de reconhecimento de sua
trajetória como homem que recebeu milhares de influências culturais. O
personagem mergulha na busca de um riquíssimo acervo de gibis, gravuras,
livros, jornais, cartazes, filmes e até
mesmo lembranças. Foi assim traçando um intenso panorama iconográfico dos anos 1930, 1940, 1950 na
Itália.
No romance o personagem está impregnado de catolicismo
tradicional, mergulhado ao ambiente do fascismo de Mussolini, atravessa os
miseráveis anos da Segunda Guerra
Mundial e desemboca na ascendente influência cultural norte-americana na Itália
dos anos 50.
As ilustrações do livro – romance ilustrado –, exibe
o enorme cabedal de iconografias colecionadas e pesquisadas por Umberto Eco.
Muitas delas, comuns a nós, brasileiros.
A misteriosa chama é uma expressão que o enfeitiçara,
ligada ao doce nome de Loana, imersas numa sexualidade desabrochando no
adolescente e que é revivida com uma aura de enevoada de encanto.
Em resumo, um história bobíssima.
Nesse passeio pelas vicissitudes de estados de consciência
prejudicados por peculiar lesão biológica, aflora a consciência critica de
Umberto Eco através dos diálogos entre o personagem desmemoriado e seu amigo
Gragnola. Este denuncia Cuore , de De Amicis como sendo um livro
fascista antes da hora.
são
pessoas como De Amicis que abriram caminho para o fascismo. p.341
“Denuncia Joana D´arc como uma fascista de primeira ordem.
Os fascistas sempre existiram. Desde os tempos...desde os tempos de Deus”.
Recite os dez mandamentos, entre esses dez mandamentos
existem quatro, atenção, não mais do que quatro que aconselham coisas boas. Não
matar, não roubar, não dar falso testemunho e não desejar a mulher do próximo.
Não matar não se pode nunca, mesmo na guerra que é uma besta imunda.
O prólogo
do Gênesis: eu sou o senhor teu Deus é um prólogo vivaldino. Aparece
só uma voz sabe-se lá de onde, vem para Moisés e se declara performaticamente,
como Deus e pronto. E se não fosse? Tudo começa com um falso testemunho.
Deus se revela com um truque e sempre fez assim.
Tem que
acreditar na bíblia porque é inspirada por Deus, mas quem falou que a bíblia é
inspirada por Deus? A própria bíblia.
Isso é autoritário, cheirando a falsidade e tramóia.
MAB
O
primeiro diz que não terás outro Deus fora ele, assim esse senhor o proíbe de
pensar, sei lá em Ala, em Buda ou talvez em Vênus. Também não se pode acreditar
sei lá, na filosofia, na ciência porque podem botar na sua cabeça que o homem
descende do macaco. Só ele e basta.
Exige absoluta exclusividade e promete uma Aliança que jamais
cumpre... MAB
Todos os
outros mandamentos são fascistas feitos para abrigar a sociedade do jeito que
é. Guardar domingos e festas...significava observar os rituais, e os rituais
servem para engambelar o povo. Honrar pai e mãe significa que a partir da idade
adulta, não se pode pretender mudar o modo de vida da tribo ou da sociedade.
Não cometer atos impuros, o que são atos
impuros? Vai se incomodar as tabuas da lei por causa de umas punhetas? A mim
parece um desperdício. Então ficou, pode trepar mas só para fazer neném.
Então quando é que se trepa? O que são atos impuros se não aquilo que o
poder vigente proíbe ?
Chegamos
ao ultimo dos mandamentos, não desejar as coisas dos outros. Não bastava
o não roubar?. Em principio esse mandamento proíbe a inveja que, com
certeza é uma coisa ruim, ao desejar que o outro que tem uma bicicleta e você
não, quebre o pescoço numa ladeira. Contudo, há uma inveja boa, aquela que faz
você desejar uma bicicleta e para poder comprar uma, começa a trabalhar que nem
um doido, e é a inveja boa que faz girar o mundo. Também tem a inveja da
justiça que leva a não aceitar que alguém tem tudo, enquanto tem gente que
morre de fome, porque nesse mundo há gente que herda as coisas de graça sem
trabalhar e outros, a maioria, que mourejam para sobreviver. A inveja pela
justiça é o sol do futuro e o que os leva a combater o fascismo.
O mundo é
dominado pelo Mal com maiúscula. O Mal viceja e pontua por todo o mundo, o Mal
dos males é que o próprio universo está condenado à morte. Não teria sido
melhor um mundo sem Mal, assim o mundo é uma doença do universo e dessa doença
nasceu o sistema solar e nós, que, para nossa desgraça somos espertos e
acabamos descobrindo que precisamos morrer. E assim não somos apenas vitimas do
Mal, mas temos que saber disso. Que alegria!
Eu creio
que deve ter existido uma mente criadora. Deus. Então como acertar Deus com o
Mal?
Ah!, o
Mal, disseram as mentes mais sagazes, foi introduzido no mundo pelos anjos
caídos. Mas como? Deus prevê tudo e não sabia que os anjos caídos se
rebelam? Ele criou os anjos, ficou
satisfeitíssimo, esperou que se rebelassem e os jogou no inferno. Mas então
esse Deus é uma porcaria de um hiena.
Outros
filósofos pensaram diferente: o Mal não existe fora de Deus, ele o tem dentro
de si, como uma doença, e passa a eternidade tentando do mal se libertar. Então
como um Deus que tem lá essa doença maligna cria um mundo que será sempre
dominado pelo mal? É pura ruindade. O mundo é efeito de sua incontinência, como
alguém com a próstata rachada.
Então ele fez o mundo porque queria, e este
mundo se lhe escapuliu, como se escapa o xixi e a porra. Estamos na merda até o
pescoço, mas ele também não está melhor do que nós. Se foi o criador do Céu e
da Terra, o fez porque é um ser imperfeitíssimo, e ainda construiu estrelas
como uma lanterna que se descarrega ao longo de bilhões de anos.
Outros,
mais piedosos, alegam que ele fez o mundo para nos colocar a prova e permitir
que ganhássemos o paraíso, e portanto a felicidade eterna. Ou gozássemos do
inferno. Os teólogos cristãos falam de má-fé, reconhecem que o Mal existe, mas
Deus nos deu o mais belo presente do mundo que é o livre arbítrio, podemos
fazer o que Deus ordena ou o que o diabo sugere e depois vamos para o inferno é
porque não fomos criados como escravos, mas como homens livres, só que usamos
mau a nossa liberdade e isso foi uma decisão nossa.
Mas
quem lhe disse que a liberdade é um
presente? A liberdade é uma coisa bela entre homem e homem, você não tem o
direito de me fazer pensar e agir do jeito que você quiser e impuser. A liberdade que Deus nos deu é obrigatória, eu
sou obrigado a jogar essa partida de bisca, ir para o paraíso ou para inferno
sem alternativas.
E se eu não quisesse jogar?
Como um Deus bondoso que dizem que é de amor,
expõe o homem à tentação? Isso é um presente? Isto é sacanagem divina: eu não
queria ter que optar, bastava ficar onde eu estava.
Melhor não induzir as pessoas à tentação.
Deus é mau, Deus é o Mal. Com os bilhões de
anos, visto que é eterno, Deus ficou mau, se você pensa que Deus é mau todo
problema do Mal fica claríssimo.
Jesus é a única prova de que, pelo menos, nós
homens, sabemos ser bons. Como uma matéria boa assim pode nascer de um pai cuja
a maldade é tanta? Mas no evangelho você percebe que Jesus no final se deu
conta de que Deus era mau. Assustou-se no Monte das Oliveiras e pediu que
afastasse dele aquele cálice e necas, Deus não lhe dá ouvidos; grita na cruz, pai,
porque me abandonastes, e necas,
Deus estava virado para o outro lado.
Se Deus é
ruim, podemos ao menos tentar sermos bons, perdoar uns aos outros, não nos
ferir mutuamente, cuidar dos doentes, e não vingar das ofensas. Ajudar-nos
entre nós, já que aquele lá não nos ajuda em nada. Jesus é o único verdadeiro
inimigo de Deus, nada de diabo. Jesus é o único amigo que nós, pobres cristos,
temos.
Eu sou o
único que entendeu a verdade, só que para não ser queimado não posso andar
espalhando por aí e só contei a você. P.351
A meu
ver, esta é a grande reflexão filosófica publicada por um cristão católico italiano contemporâneo,
que se alçou como pensador no mundo moderno. Ele ousa desmistificar a antiquada
e inconsistente idéia de Deus, já em
2005.
Depois
Umberto Eco contará de mais outras maneiras.
Em nossa
idade adulta, há um único problema para valer: O MAL.
Como
lidar com o MAL e a MALDADE sua, ínclita, pessoal, que majestática, vige e
prevalece pelo mundo afora, devastando e derruindo o bem posto?
Neste
livro, Eco livra a cara de Jesus de Nazaré como exemplo de pessoa boa,
edificante, e, até, luminar. É o que sobrou de seu catolicismo cristão
infantil.
Em 2011, Umberto Eco irá pontificar a MALDADE humana
atuando no mundo, com seu personagem, Capitão Simone Simonini, em seu
monumental e explicito livro O CEMITÉRIO DE PRAGA.
Mas O Cemitério de Praga, quentinho de novembro de
2011, é uma beleza e uma glória.
Um homem odiento, um Caim, invejoso e que detesta
tudo e todos, exceto a gastronômica cozinha francesa, o capitão Simonini, é um
hábil falsário.
Trabalhando para o Departamento, forjando documentos
antigos autênticos, Simonini sofre forte influência do avô católico
monarquista, ávido pelo retorno do Antigo Regime, tem como seus educadores
jesuítas que o machucam, sofre com a ausência de seu pai, republicano, lutando
e morrendo por uma Itália a tornar-se nação.
Suas habilidades de falsário o tornam protagonista
da História européia, de 1840 a 1898. Participou das lutas de Garibaldi na
Sicilia, conviveu com os jesuítas, com os carbonários e meteu-se nas lutas
políticas acirradas na península italiana. Jovem ainda, no sotão Turinês
encontrou o acervo de livros de seu pai. Entre eles, leu Joseph Balsamo de Alexandre Dumas.
Nesse livro Simonini introjetou de vez a idéia de que há um complô
jesuíta-maçon para a dominação do mundo. Em curso. Dumas estabelece, em
definitivo, os delineamentos e as características de todo complô possível.
Resumo
Sei
que amo a boa cozinha.
Odeio os judeus. O povo ateu por
excelência: o bem deve se realizar aqui e não além-túmulo, agem somente para a
conquista deste mundo.
Os alemães: o mais baixo nível
concebível da humanidade.
Francês é preguiçoso. São maus. O
italiano é inconfiável. Os padres foram o único governo verdadeiro que tivemos
desde os romanos.
Padres são ociosos.
A civilização não alcançará a perfeição
enquanto a última pedra da ultima igreja não houver caído sobre o último padre.
( Abade Meslier)
Os homens
nunca fazem o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por
convicção religiosa. 21
Os piores
são os jesuítas e seus irmãos carnais mais confusos, os maçons. Geraram os
Carbonários. Depois se tornaram socialistas, comunistas, communards.
Thiers os colocou no paredão.
Odeio as
mulheres. Mulheres não passam de sucedâneo do vicio solitário.
O trabalho
me refreia do relaxamento dos costumes. 27
22 de março
de 1897, sou o Capitão Simonini, 67 anos.
Mouchards
são os informantes da policia.
Umberto Eco utiliza o desdobramento da Dupla
personalidade, para urdir seu personagem complexo : abade Dalla Piccola e Eu.
Desmemoriamento.
Charcot > Hipnotismo > Autossugestão
Todos os judeus ricos de Paris tem nome
alemão.
Judeu e alemão é
uma mistura que não me agrada.
É melhor
nunca precisar de dinheiro e jamais cair doente.
Num restaurante,
encontra um jovem Froide.
Freud > Cocaína é bom para soltar a língua. Freud reclama que a mãe
natureza não me imprimiu a marca do gênio. Descreve a Trauma sexual de Augustine – Hipnose. Falar, falar, falar, falar.
Os sonhos.
Contribuir
para envenenar um judeu com cocaína é uma idéia que não me desagrada.Usa
hipnose, falar e falar. Sonhos.
Não
bisbilhotarei os sonhos de meus pacientes, em Viena. Não sou uma pitonisa.
Freud. 54
Exatamente o
contrario do que seria considerado: gênio escritor moralista do século vinte e
arguto investigador da psique dos homens.
Me constato
tão obeso quanto minha idade já demanda.
Turim. Falo
francês e me considero mais francês do que italiano como todo piemontês. Por
isso, considero os franceses insuportáveis.
Odiei.
Não é bom
ser livre demais, tampouco ter todo o necessário.
Isso desfibra as
pessoas.
O homem,
abandonado a si mesmo, é mau demais para ser livre. 58
A Revolução Francesa foi a
conspiração universal dos Templários contra o rei e a Igreja.
Ordem secreta 500 anos desde
Jacques de Molay.
Abade Barruel: templários +
pedreiros livres foram conquistados
pelos Iluminados da Baviera. Ligados a eles, os da Enciclopédia – os das Luzes franceses e os do Esclarecimento dos alemães, dando
origem aos Jacobinos. Meu avô foi o primeiro a perceber essa trama. Na carta a
Barruel, o avô derrama-se em ódio e fel
sobre os judeus. 60
Mordechai. Marrano.
Ódio, vingança.
Os judeus inventaram os
franco-maçons, perseguidores e perseguidos pelos jesuítas. Tornara-se
(delirante) um superior desconhecido e oculto comandando as lojas de
Nápoles a Londres.
Por meio da usura, em um
século, tornariam donos do mundo.
Um jesuíta diz uma coisa e faz
outra, faz essa coisa e diz outra. 68
Coisa banal que todos nós
procedemos. MAB
A vocês, jovens, confio a tocha
do testemunho
Eis o legado do avô.
Judeus usam sangue de crianças cristãs em seus ritos. Tinha então
, 14 anos. Humilhado por uma filha de Sião, ao ser cantada por ele: non monssie
– meus senhor, e sim gagnu- fedelho.
É o jesuitismos que substitui os bons de espírito livre pelos
tristes e pelos vis.
Meu pai relata as idéias de
Gioberti tomadas de 2ª mão com o romance de Eugene Sue “ O Judeu Errante
”.
Meu pai queria a Itália Nação.
Meu avô, não.
Dumas 1848 annus horribilis.
Pio IX
Luiz Felipe caiu – Republicanos
enrolam as vísceras no pescoço e o estrangulam.
Biarin : café, leite e
chocolate. Mas o que me dava prazer era parecer um outro, vestido com as vestes
jesuítas do padre Bergamaschi.
Pai morto em junho de 1849.
Pai deixou tomos como
Joseph Balsamo, de Dumas.
Cagliostro organizou um embuste, um complô político à sombra da
maçonaria universal.
Monte Trovão 1770 é o cenário que Dumas criou.
Provas maçônicas de ordem
mínimas para expulsar da terra o
Impuro, ou seja , o Trono e o Altar.
Dumas descobriu a Forma
Universal de todo complô possível. 89
Quanta gente por ai vive
pensando estar ameaçado por uma conspiração...
A cada um o seu complô.
O que aspira cada um? Ao dinheiro
para exercer poder sobre o outro, vingar os agravos, achar
a quem atribuir o projeto de sua ruína.
Pessoas só crêem ( só compram)
naquilo que sabem. E essa é a beleza da Forma Universal do Complô. 90
Em1855, eu tinha 25 anos.
Simonino se tornou cada vez
mais incapaz de alimentar sentimentos diferentes de um sombrio amor a si mesmo.
97
Contatos com os senhores do
Departamento.
Cavalier Bianco
propõe destruir jovens Carbonários e Rebaudengo.
Carbonários estão subordinados
à Alta Venda – Seu chefe era Nubius.
Fiz patifarias a patifes. 109
Sue em “ Os Mistérios do
Povo” expunha a carta do Padre Rodim ao
geral dos jesuítas, Padre Roothaan, na qual o complô era exposto tim-tim
por tim-tim.
Os agentes do governo querem
apenas idéias claras, simples, branco e preto, bons e maus devem ser só um.
Encontrei belas gravuras do
cemitério de Praga.
1860.
Os chefes com demasiado
fascínio devem ser decapitados logo.
Trata-se do glamoroso Garibaldi 132
Ao desembarcar, você incendeia
as embarcações e vai em frente, não pode mais se retirar.
As guerras constituem a saída
mais eficaz e natural para frear o crescimento do numero dos seres humanos. 145
- O senhor é um paspalhão.
Aos 30 anos fiz a guerra para
me distrair de um mundo que não amo.159
Simonini, o senhor não acerta
uma.
Se eclipsa para Paris. 174
Mostra-se imêmore de si. 187
Maurice Joly inspira-se em Sue
, ou seja, na carta que Padre Rodin
enviara ao Padre Roothaan em “ Os
mistérios do povo”. 189
Joly analisou fatos que estão a
vista de todos, perpetrados por Napoleão III.
Alemães inventaram os palitos
de fósforo. 200
Ninuzzo o achou após seis anos.
203
Uma noite em Praga. 209
Eu gosto dos descrentes.
Bíblia: uma história de
incestos, de massacres e de guerras selvagens, em que só se triunfa pela fraude
e pela traição.
Disraeli em Conninghy afirma
que os judeus se preparam para dominar o mundo.
Lagrange apresenta o russo
Coronel Dimitri.
O Kahal – Estado Judaico
dentro de cada país.
Brafman – judeu.
O espírito talmudico é animado
por uma ambição desmesurada de dominar o mundo.
O documento deve ser ex
novo, não mostrar o original mas falar por ouvir dizer.
Quantia já acumulada pelos
judeus europeus: 2 bilhões de francos,
600 francos por cabeça para 3.5 milhões de judeus que vivem na Europa. Não
ainda o suficiente para destruir 265 milhões de cristãos.
Para odiar alguém, não é
preciso falar com ele. Nem como ele. p.221
Primeiro encontro com o Abade
Dalla Piccola.
Caracteristas e qualidades especificas e defeitos dos Judeus –
usura, longevos, poupados da epidemia
de peste e de cólera. Povo porco
e só se casa consanguineamente. Cometem
infanticídio de cristãos.
No meu cemitério da Praga... sinedrio dos rabinos. ps.. 226;
229
Pretendem Reinar sobre a terra, como foi prometido a nosso pai
Abraão. Recebemos os frutos da riqueza, do
gozo, da felicidade e o desfrute do poder, afim de compensar a condição
odiosa que, por longos séculos, foi a única sorte do povo de Israel.
Isso por que a Aliança
oferecida por Javé desde Moises, jamais foi cumprida por esse deus fanfarrão e
omisso. Os descendentes dos hebreus, depois tornados judeus após o século II da
era comum, persistiram fincados na patranha de ser um povo especial, eleito
dentre dezenas de outros povos igualmente legítimos e valorosos. Passaram a
atravessar séculos na vã expectativa da vinda salvadora de um Messias vingador
e polipotente, capaz de dar-lhes a grandeza
e o poderio que jamais tiveram desde Salomão. MAB
Paixão irrefreável e profunda de ódio aos judeus.
Biarritz – Dimitri russo
50.000 francos.
Melhor previnir e castigar
antes que os crimes sejam cometidos. Os atentados aleatórios serve para manter
preocupados os burgueses.
Munique. Stieber – Goedsche – escrevia com o nome de
Sir John Retcliffe. Um canalha – Biarritz tratava dos acontecimentos
italianos de 1860. Três forças dominam o mundo: os maçons, os católicos e os
judeus contra a pureza da raça protestante teutônica.
O perigo deve ser um só, para
não distrair as pessoas. Libertar a estirpe tedesca da insidia judaica.
Arbeit mach frei – só o
trabalho liberta. Lema nos pórticos dos campos de extermínio dos nazistas
alemães.
Há sempre um lema digerível,
palatável, ornando uma instituição de perversidade humana.
Lutero queria expulsa-los da Alemanha
como cães raivosos.
Paulo era judeu asiático, um turco.
Celtas romanizados tornaram-se
franceses latinos. Só os germânicos conseguiram se manter puros, incontaminados
e capazes de debilitar a potência de Roma.
Por que afinal deve-se dizer
sempre a verdade?
Abade Dalla Piccola –O senhor
me tomou por um pateta.
Matou-o.
A cada 10 ou 20 anos há uma
revolução ou tumulto em Paris. O povo parisiense adora fazer barricadas.
O aspecto mais irritante de um
homicídio é a ocultação do cadáver.
Demônios - Apunhalar a hóstia para selar um juramento.
- Inventos da época: A luz elétrica - cigarros - elevador –
carne enlatada – telefone –
vaso sanitário – submarino.
Critica acidamente todos
esses vantajosos inventos ocorridos no último quartel do século 19.
Lagrange pergunta pelo Abade e
intimida Simonini.
Guerra franco-prussiana em
1870. Emprego de pombos correios.
Napoleão III aprisionado. Queda
do Império. Republica. Fome em Paris.
Marco – Comuna de Paris. Thiers em Versailles.
Paris possui subterrâneo
emaranhado de cavernas de calcário, cré e antigas catacumbas.
Hébuterne é o novo homem dos Serviços Gerais.
Lagrange morto, misturado aos cadáveres de comunards
massacrados..
Quando se falha em alguma
coisa, sempre se procura alguém para acusar a própria incapacidade.
Protocolos 18
Como era bela a paz, depois de
um banho sacrifical.
Em 1876, como Tabelião, começou a redigir o discurso do rabino
para cada possível comprador interessado.
Padre Bergamaschi jesuíta o
induziu.
Em 1878 desaparecera Goedsche e
Joly metera uma bala na cabeça.
Joly – Chega em um momento
em que alguma coisa se despedaça dentro de nós e não temos mais energia ou
vontade. Dizem que é preciso viver, mas viver é um problema que com o tempo
conduz ao suicídio.
Osman Bey fanatico judeu
Thiers era judeu? E quem não é?
A solução final: o extermínio
de todos os judeus.
1880 - Salão de Juliette Adam – Juliana Glinka -
Rachkovsky. Okhrana.
Melhor aparentar ser espião,
não possuir nenhum segredo, mas ostentar possui-lo. Era como viver de rendas ou
gozar proventos de uma patente.
Hébuterne fala de Taxil.
Vantagem de converter um
escritor anticlerical empedernido em um convicto católico , capaz de renegar
suas obras anteriores e passasse a denunciar todos os segredos do mundo
maçônico, e os senhores, jesuítas teriam ao seu serviço um propagandista
implacável. P.317
Simononi se apresenta como o
Tabelião Fourrier.
Taxil espalhou a história falsa
porem acreditada dos tubarões em Marselha 1873.
Revelou a falsa descoberta de restos de cidade romana no fundo do
lago Leman.
A principal característica das
pessoas é que elas se dispõem a acreditar em tudo. Aliás, sem a credulidade
universal, como a Igreja poderia ter resistido por quase 2 mil anos? p. 315
Não sei se eles acreditam
realmente nesse Grande Artífice do Universo de que eles vivem falando, mas
certamente levam a sério suas liturgias.
Cada um é livre para
reconhece-lo como o Deus Cristão ou como uma força cósmica impessoal.
Uma mística é uma histérica que
encontrou seu confessor antes do seu médico. 334
Du Maurier - Diana _ Charcot.
A maçonaria... apunhalava hostias sacras ao fechar contratos e
praticava várias formas de missas negras.
Mísula – suporte de ornamentos.
Paladismo. 340
Publico quer mais por pura
paixão narrativa. 345
Taxil ou Bataille saquearam
toda a literatura precedente com o Bafomé de sempre.
Cristianismo é a “histeria
da cruz”. 346
Não existe nada mais inédito do
que aquilo que já foi publicado.
Com a magia se pode agir a
distancia. Com o Dagyde. Boneca mágica de cera capaz de exercer
malefício sobre as pessoas à distancia, Feitiço. p. 352
A espontânea desconfiança
antijudaica tornava nova a doutrina, como o cristianismo ou o idealismo, o
filão do antissemitismo.
Dreyfus. 353
Basta falar sobre alguma coisa
para faze-la existir. 358
Doze anos bem vividos.
Victor Hugo transformado em monumento de si mesmo.
Froide
A. Daudet. M. Heléne Blavatsky.
Confia em que tudo o que te foi
prometido se realizará. Mesmo quando estiver disperso sobre toda a face da Terra. 362
Promessa de Aliança proferida por Javé, jamais sequer
remotamente cumprida.
Marx: “ Um fantasma ronda a
Europa”. No Manifesto comunista elogia a burguesia como a nova
classe revolucionária que faz brotar das próprias vísceras seus coveiros, os
proletários. P.362
Dostoievski justifica os judeus
como complô que permite a sobrevivência deles e em seguida, os denuncia como o
inimigo a eliminar. Era um visionário.
Judeus não abandonam a idéia
arrogante de que virá um Messias que, com sua espada, submeterá todos os povos.
Jamais se deve servir ao patrão
atual e sim preparar-se para o seguinte.
369
É conveniente que o povo dirija
suas insatisfações a um inimigo
( extremo, longuínquo, para preservar Deus e o governante e,
também criar uma cortina de repressão para que não perceba sua mediocridade e
sua incompetência pessoal e coletiva. MAB.)
É necessário um inimigo para
dar ao povo uma esperança. Um rival, um contendor, um adversário é fator de
emulação para o crescimento pessoal . MAB.
A identidade nacional é o
ultimo recesso dos deserdados.
Variação da celebre frase: o patriotismo é o último refugio dos
canalhas.
O ódio é a verdadeira paixão
primordial. O ódio aquece o coração. Pode-se odiar por toda a vida. 370
Melanie Klein talvez seja a primeira psicanalista que descobriu
isso. Depois vieram Fairbairn e Winnicott na mesma assertiva. E também,
sobretudo, Luba Szondi.
A glória ariana é a literatura. Não é a musica,
onde há expoentes judeus.
Judeus vivem mais 53 anos
enquanto a media dos cristaõs é de 37 anos. Vivem na fabula messianica da antga
Aliança.
Jesus era Celta.
Nada melhor que a policia para
estimular paixões belicosas nos estudantes. 385
Simonini ganhou mais dinheiro
em 1894.
O acaso deve ser sempre
ajudado.
Drumont é antimaçom, antijudeu,
antissemita erótico. 372 e 401
Tipos de Maçonarias. 402
Haborym apareceu com três
cabeças.405
Havia campo para explorar a
credulidade e a estupidez insondável dos católicos.
Uma noite na missa. 24
A idéia de um diabo de três
cabeças, que se banqueteava com o chefe do governo italiano, era difícil de
digerir. 414
, aquele éon que os cristãos
chamam de Jesus Cristo. p.418
A missa negra. 419
Charivari. 422
Singulto ( soluço, suspiro) descingido.
Muliebre caverna.
A mamãe era judia. 427
Nunca serei pai de judeu. 428
Talvez houvesse cindido sua personalidade justamente para criar um
interlocutor (arrisca o narrador). 439
Taxil mentiroso: Ninguém é
filho de Marselha à toa.
A solução final, 10 de
novembro de 1898. p. 443
Faz um ano que me livrei de
Diana, de Taxil e de Dalla Piccola.
A espionagem ( e a contra
espionagem) são coisas sérias demais para serem deixadas aos militares. 451
Variação daquele
advogadozinho Clemenceau, que durante a Primeira Guerra Mundial expletou tão
acertadamente:
A guerra é importante demais para ficar só nas mãos dos militares.
Difundir o pensamento dos
filósofos ateus para desmoralizar os gentios. Devemos cancelar o conceito de
Deus das mentes dos cristãos, substituindo-o por cálculos aritméticos e
necessidades materiais.
O povo não se dá conta,
acorrentado que está ao trabalho e à pobreza. 452
Já tenho material suficiente
para montar aqueles que chamaremos de Protocolos da Reunião dos Rabinos no
Cemitério de Praga. 457
20 de dezembro de 1898.
Diário interrompido.
Há uma melancolia do dever
cumprido, mais vasta e impalpável. Conclui o trabalho de uma vida iniciado com
a do Balsamo, de Dumas, no sótão Turinês.
Tenho 68 anos, Bergamaschi deve
estar agora com 85.
Como se a vida fosse uma coisa feia como num mutilado de guerra
tocando flautim para esmolar. 462
É que estou vivendo como
aposentado, ou sobrevivente. 464
Construí um espaço mágico, o
centro escuro e lunar do complô universal. O Cemitério judeu de Praga. 465
A que se devia a sensação de
vazio que eu tinha havia semanas, se não ao sentimento de não ser mais um
protagonista? 467
Apenas o ódio aquece o coração.
471
Percebo haver existido somente
para derrotar aquela raça maldita.
Um bom paranóico vive para
pretender e acreditar que é participe
de um belicoso PLANO de extermínio daquilo ou daqueles que, por vicissitudes,
passou a odiar. MAB
Preparei uma bomba que marcará época.
Que diabo, ainda não estou caduco.
Simone Simonini ele ainda está
entre nós.
Como quer crer
o Cristo da Igreja Católica. Forma lapidar de fechamento em abertura
para outro novo romance...MAB
A douta coleção de ensaios que compõem Viagem na irrealidade
cotidiana
é de 1984.Trata-se de uma coleção de seis conjuntos:
Viagem pela hiper-realidade.
A nova idade média.
Os deuses do subsolo.
Crônicas da aldeia global.
Ler as coisas.
De
consolatione philosophiae.
Mostra o ensaísta, político cidadão do mundo
elaborando inteligentes ensaios.
Sobre os espelhos é de 1989. Igualmente
incisiva coletânea de ensaios sobre a atualidade, colecionados em 5 blocos:
Modos de representação.
Entre a experimentação e consumo.
Conjeturas sobre mundos.
Entre poesia e prosa.
Discurso sobre as ciências humanas.
Em 2004, Umberto Eco publica A História da Beleza. Ilustrada por centenas de
obras-primas de todos os tempos no ocidente, nele estão as diversas e múltiplas
idéias de Beleza, escoltadas por textos de literatos, poetas e sábios
descrevendo e considerando a Beleza. Trata-se de magnificente acervo de formas
de Beleza vigentes em diferentes épocas, indo do singelo ao sublime. Eco
apreende o Belo como epifania da alma das coisas desse mundo em um êxtase
estético materialista.
No mesmo diapasão, com idêntico viés, Umberto Eco
publica em 2007
A História da Feiúra. A extensa coleção do feio
através dos séculos é mais instigante e imprevisível do que se pensa
habitualmente.
A horrorozidade da imaginação humana comparece com
suas deformações, anomalias, desarmonias, loucos, demônios, horrendos, vis,
abjetos, ignóbeis, o intolerável e o repugnante, animais e seres fantásticos,
inconcebíveis. Umberto Eco presta elucidativa homenagem á estética do feio e do
escabroso, nossa menos cara dimensão humana.
A Vertigem dos listas aparece em 2010. Neste
livro ricamente ilustrado, Umberto Eco dá razão a sua mania de enumerar à
exaustão as coisas pertinentes pertencentes à identidade de nossa cultura. Dos
bestiários às entidades mitológicas, das coleções de arte aos catálogos
indicativos, das coleções naturalistas à história de literatura e do
colecionismo de elencos de variedades úteis, Umberto expressa sua mania de
citar múltiplos fatos e objetos. Trata-se de uma arguta estética do coletivo
que enriquece nossa civilização.
Há ingente necessidade de estabelecer padrões para
por ordem no caos. A fixação humana nos cadastros, coleções, catálogos mostram
que as listas são um componente ordenado da cultura de um povo. A internet, diz
Eco, está se tornando a mãe de todas as listas.
As listas
não tem fim. Nossa vida, sim!
Nota: Em 2013 Umberto Eco publica Confissões de um jovem
romancista,
São Paulo, pela Cosac Naify. Nele descreve
etapas e o os processos de sua criação como romancista.
Revela que
levou oito anos para escrever O
Pêndulo de Foucault, quatro anos para Baudolino, dois anos para O
nome da Rosa . E anuncia seu deleite pela congérie, que culminou com
A vertigem das Listas.
Belo Horizonte, 2 de abril
de 2013.
Marco Aurélio Baggio – Cadeira nº 10