terça-feira, 2 de abril de 2013

ECOS DE UMBERTO


Ecos de Umberto
Os romances de Umberto Eco
 

Marco Aurélio Baggio

 

        Pode-se afirmar que Umberto Eco disponibiliza sua vasta cultura em seus ricos romances para elucidar a dimensão paranóide dos seres humanos.

Umberto ecoa com maestria as cordas sensíveis da psique dos humanos em sua celerada busca de decifrar um complô desde sempre armado por seitas esotéricas secretas, com o objetivo de dominar o mundo. Os malignos, os infernais, agem de maneira insidiosa, subreptícia, sempre intencionados a sobrepor-se e a subjugar as almas boas e ingênuas.

Os diabólicos estão em toda parte, agindo sempre camuflados, por vezes insinuando-se malvadamente, dando presença de si apenas como a ponta de 10% de um iceberg.

Os malignos transvestem-se habilmente, trocando de nomes e de roupagens, para melhor operacionalizar seus objetivos de dominação.

Há sempre um PLANO secreto  urdido por alguém poderoso com intenções malignas sobre nós, as pobres vítimas. Umberto Eco afirma em seus vários romances, que basta alguém propalar que existe um Plano para que o Plano entre em execução. Por mais estapafúrdio que seja. Aliás, diz Eco, quanto mais inverossímel fôr, maior é a chance de o Plano ser acreditado.

Isso porque os seres humanos adoram ficar maravilhados, adoram o irreal e propendem a dar crédito ao impossível.

A  História é cheia de sociedades secretas. Um grupo de adeptos se congregam em um contubérnio e ali gestam revelações esotéricas, conhecimentos falsos privilegiados, estabelecem rituais e hierarquias e se assumem como pessoas especiais, dotadas de conhecimentos e de poderes fabulosos, postando-se como ascendentes por sobre os demais contemporâneos.

 

Em O Nome da Rosa, seu primeiro espetacular romance, Umberto Eco realiza seu desejo infantil de matar monges e incendiar um mosteiro medieval, tecendo espetacular trama na qual um monge cego defende sua Biblioteca contra a curiosidade dos demais, escondendo o livro sobre o riso de Aristóteles.

Nesse romance de abertura, Eco exibe, apresenta-se como hábil professor de semiologia e erudito conhecedor do que de melhor houve na Idade Medieval.

Discípulo de Jorge Luiz Borges, Umberto delineia como cenário uma labiríntica biblioteca, na qual está colecionada grande parte do conhecimento humano graças ao ingente e fecundo trabalho dos monges católicos copiadores dos livros que lhes chegam de todas as partes do mundo e os quais permutam.

Já em O Nome de Rosa um velho Abade paranóico defende sua verdade supervalorizada na crença de estar protegendo da devassidão seus preceitos cristalizados. Há um complô armado, em operação, que seu personagem Guilherme de Baskerville  procura decifrar e desmontar, a partir de indícios semiológicos. Trata-se de obra detetivesca, na qual a razão esgrima, vence e perde, contra a obtusidade da paranóia. O espaço cênico é a Biblioteca do grande mosteiro, seus livros e a tradição cultural proveniente da antiguidade clássica.

 

Em 1980, Umberto Eco quis escrever um  romance. Monge medievalista diletante que é, quis perguntar-se:

 -Onde estão as neves de outrora?

 Passou a escrever por puro amor à escritura. Dos grandes de outrora, as cidades famosas, as belas princesas, tudo se esvai no nada. De todas essas coisas desaparecidas só nos restam puros nomes.

A ultima frase do romance, em latim é:

stat rosa prístina nomine, nomine nuda tenemus.

“ a rosa do passado é (resta) apenas um nome, simples nome (puros, nus, crus) nos são legados.”

Ou ainda melhor traduzido:

A rosa de antanho apenas sobrevive em seu nome; os nomes são tudo o que temos.

 Umberto Eco mistura hábil e acreditávelmente realidade, pesquisa, pretensão, dados históricos com ficção e erudição.

A rosa é uma figura simbólica densa de significados: floral, perfumosa, mística, os rosa-cruzes, romântica, a guerra das duas rosas, uma rosa é uma rosa.

Umberto Eco começou a escrever em março de 1978, movido por uma idéia seminal:

 “ Eu tinha vontade de envenenar um monge.”

Assim, retirou da hibernação o medievalista que é, uma vez que possui um conhecimento direto da Idade Média européia. Essa é a idade da infância européia envelhecida de hoje.

Livros de alta literatura sempre falam de outros livros e nada é mais original e instigante do que aquilo que já foi publicado. Há tantos livros magníficos que ninguém mais lê. Daí ser necessário contar de novo e diferente, uma história já contada.

Eu digo que Vallet dizia que Mabillon dissera que Adso disse...”

 Para contar é preciso construir um mundo. Para isso, Eco dispendeu um ano de pesquisas sobre os livros e as crônicas encontrados em uma biblioteca medieval. Precisava situa-la entre os séculos XIII e XIV, colocando em cena um investigador franciscano inglês conhecedor de Occam, e portanto, familiarizado com os signos usados para o conhecimento dos indivíduos.

Situou o romance em uma portentosa abadia no norte da Itália em fins de novembro de 1327.

Eu queria um cego como guardião de uma biblioteca e biblioteca mais cego só podia dar Borges”.

Outra idéia reitora foi criar um labirinto em circuito fechado.

Convoquei um noviço, Adso. Ele conta aos 80 anos refletindo sobre o que viveu e ouviu quando jovem. Ele, Adso, atravessa os acontecimentos históricos, os eventos políticos, os mistérios esotéricos, as ambiguidades relacionais e, até, se imiscui  em debates e confrontos teólogicos com a vivacidade da memória retrograda de adolescente e a incompreensão da maioria dos eventos por parte de sua noviça idade.

Eu queria fazer o leitor compreender tudo através das palavras de alguém que não compreendeu quase nada.”

Escrever é querer revelar o leitor para si próprio. Um texto quer ser uma máquina de provocar interpretações possíveis, diversas, uma experiência de transformação para o próprio leitor.

O pós-moderno é uma categoria espiritual, um Kunstwollen, um modo de operar. Sterne e Rabelais são pós-modernos e Borges também o é.

Um romance histórico deve não apenas identificar no passado as causas do que aconteceu depois, mas também desenhar o processo pelo qual essas causas foram lentamente produzindo seus efeitos.

Se um personagem comparando duas idéias medievais, tira delas uma terceira idéia mais moderna, está fazendo exatamente aquilo que a cultura fez depois.

Na disputa política pelo poder entres os guelfos-partidarios do papa - contra os gibelinos partidários do imperador da Alemanha –, o noviço beneditino Adso de Melk tornou-se escrivão e discípulo de um sábio semiologista franciscano inglês, frei Guilherme de Baskerville. Este, um homem a quem duvidava de que a verdade não fosse a que lhe aparecia no momento presente. Chegaram a Abadia onde, em sete dias de permanência, ocorreram sete mortes de monges. As mortes pareciam seguir as maldições das trombetas do Apocalipse.

Guilherme põe-se a investigar. Descobre os segredos sujos daquela Abadia. O centro, o fulcro e o motivo da existência daquela fabrica de conhecimentos recolhidos e replicados era a Biblioteca. Guilherme percebe que os assassinatos tem relação com algo proveniente da Biblioteca. Vasculha-a a ponto de bem conhecer seu portentoso acervo, postado em labirinto. Percebe que há um local, um salão fechado, inacessível. Um livro misterioso circula pelas mãos de monges que logo amanhecem mortos em posições esdrúxulas, como que tocados fulminados por agente do Apocalipse.

Um velho monge cego era há 40 anos, o bibliotecário, Jorge de Burgos, espanhol, de Silos, lugar que de onde proveio os mais belos Apocalipses de Leão e Castela.

Após peripécias e vicissitudes, Guilherme e Adso penetram no finis Africae, o salão interditado onde Jorge já os esperava.

Um duelo de ferozes inimigos que se admiram têm lugar. O tema é o riso. Jorge escondera delirantemente o livro sobre a comédia perdido de Aristóteles. Ele parte dos Komai, celebração jocosa nos vilarejos gregos, dos camponeses, após uma festa. Aristóteles vê em seu segundo livro o riso como uma força boa. Jorge julgou ser seu dever cristão defender a dignidade de sua biblioteca e por conseguinte, proteger a Abadia e a cristandade do poder persuasivo do filosofo. Cada uma das palavras do Estagirita Aristóteles viraram o mundo das crenças místicas católicas da cabeça para baixo.  Mas ele (ainda) não chegou a virar de cabeça para baixo a imagem de Deus. A idéia e o respeito a Deus permanecem intacto.

Aqui, nesse livro, o riso deixa de ser vil, banal, defesa fácil para os simples da plebe.

Nesse livro, o Filósofo inverte a função do riso: este é elevado à arte, abrem-se-lhe as portas do mundo dos doutos. Faz-se dele objeto de filosofia, e de pérfida teologia.

O riso libera o aldeão do medo do diabo, insinuando que isso é sabedoria. Como impor a lei sem o medo? Cujo nome é temor a Deus?

Esse livro promulga a panacéia, como remédio milagroso contra o medo e a submissão à comedia, à sátira, ao mimo e até o deboche das coisas serias do sagrado.

Diz outro filosofo grego que se deve desmantelar a sociedade dos adversários com o riso, e adversar o riso com a seriedade.

 Mas  se um dia—e não mais como  exceção plebéia, mas como ascese  de douto, consignada ao testemunho indestrutível das escrituras -  se tornasse aceitável e aparecesse nobre, e liberal, e não mais mecânica, a arte da irrisão, se um dia alguém pudesse exclamar ( e ser escutado):

Eu rio-me da Encarnação...

Se um dia  torna-se aceitável como nobre e douta a arte da irrisão, então não teríamos armas para deter a blasfêmia de as forças obscuras da matéria corporal do peido e do arroto arrogarem a si o direito que é só do espírito cristão de soprar onde quer que queira!

Paranóico Jorge de Burgos, o cego bibliotecário da Abadia detentora da maior biblioteca da cristandade, se arroja de presunção de interditar acesso ao último exemplar do livro em papel de pano, o segundo livro de Aristóteles sobre a comédia.

 Se o riso e a ironia do bom humor passam a ter a chancela do Filósofo, está aberta as portas para as sendas orgulhosas da razão natural, baseadas em meros indícios terrestres distanciados irremediavelmente dos preceitos sagrados. Com esse livro sobre o riso, a comédia e a ironia, os textos arduamente entretecidos pelas convolutas formulações dos Padres da Igreja se tornariam matéria de livre interpretação. Perderíamos o poder de impingir culpa sobre as almas simples dos pecadores aldeões. Daí, desapareceriam sua submissão e, ao mesmo tempo, nosso poder, nossa ascensão. Perderíamos o chicote do medo, debochado pelo riso. Logo o medo, talvez o mais benéfico e afetuoso dos dons divinos?

O homem passaria a querer na Terra a abundância própria do país da Cocanha.

Era preciso impedir isso, foi o que fiz. Eu fui a mão  delirante de Deus.

 

Jorge passa a devorar as folhas por ele envenenadas do livro. Foge na escuridão.

Adso acende o lume, cai óleo sobre livros e dá-se a ectopirose. Queima a Biblioteca e, logo, toda a Abadia.

Umberto Eco disse que sempre quis incendiar uma biblioteca medieval.

Jorge temia o segundo livro de Aristóteles porque este talvez ensinasse realmente o rosto de toda a verdade, a fim de que não nos tornássemos escravos de nossos fantasmas.

Talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir da verdade, fazer rir a verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos libertar da paixão insana pela verdade (absoluta). p.552

Não há ordem no universo.

Que diferença há então entre Deus como um ser necessário totalmente entretecido de possível e o caos primigênio?

 Isso não demonstra que Deus não existe? p.553

Onde estão as neves de outrora?

“ A rosa do passado é apenas um nome, simples nome (nus,crus) nos são legados”.                 

 

O Pêndulo de Foucault apareceu em 1989. Um grupo de amigos editores Belbo, Diotallevi e Causabon vivem em contato com textos da mais diversa ordem na editora do Senhor Garamond.

Por diletantismo, imaginam um PLANO. Estamos na terceira quadra do século XX e Abulafia, o computador, entra na vida destes intelectuais. Brincam de rabinos, querem explicitar os infindáveis 720 nomes de Yaveh.

Umberto Eco está fascinado com a máquina que trabalha maravilhosamente rápido para tentar decifrar os segredos do mundo.

Pressupõe-se a existência de um Plano que está em curso, acionado por alguns. Será a herança de um conhecimento hermético possuído pelos Templários?

Os nobres cavaleiros medievais que defendiam o Templo de Salomão em Jerusalém, na Palestina, tornaram-se imensamente ricos e poderosos, graças a sua Ordem. Felipe, o Belo, rei da França, endividado e invejoso e o Papa Gregório VI   mancomunaram-se para apossar-se das riquezas dos Templários, condenando à fogueira Jacques de Molay, seu mestre. Dessa conspiração macabra, seguida pelo destino confuso dos remanescentes, surgiu a lenda de que, de alguma forma secreta, os Templários sobreviveram e sobreviviam em varias partes da Europa. E mais, seriam detentores de um conhecimento secreto especifico, que permitia-lhes dominar as coisas do mundo. 

Causabon passa uma noite ritual escondido em Saint- Martin- des – Champs que tinha sido  concebido como museu revolucionário como silogeu das ciências ocultas. Onde, em 1855, foi instalado por Foucault um enorme pêndulo para provar a rotação da Terra. Esse pêndulo funciona como um axis mundi, o fulcro, o eixo, o centro do planeta Terra, em torno do qual tudo gira e adquire sentido.

Põem-se a cata do segredo dos Templários. Em bibliotecas bisbilhotadas encontram um mapa, um hieróglifo, proveniente de Provins, onde, supostamente os Templários possuíam um Templo. Após vicissitudes pirlimpsiquistas, rocambolescas, Causabon, nome de personagem literária, descobre que o mapa de Provins não passava de um rol de roupa enviada para a lavanderia.

Não havia conhecimento secreto nenhum proveniente dos Templários. Contudo, basta propalar, induzir, aludir, sobre a existência de um PLANO para que ELES partam em busca do PLANO de dominação do mundo, como uma alcatéia de cães. Todos querem acreditar na existência de um Plano ordenador maior que daria sentido às suas vidas e  consequência ao arrevezo dos acontecimentos do mundo.

E mais, todos querem vir a se inserir, a vir a participar do Plano, adquirindo assim, um novo poderio pessoal em contraposição ao descolorido fátuo de suas vidas. Em O Pêndulo de Foucault  Umberto Eco exibe com maestria seus conhecimentos sobre a História européia nos anos 1800-1900 com a fabulosa trama das sociedades secretas: os Rosa-cruzes, os jesuítas, os maçons, a Okrana, os Assassinos, o conde de San Germano e até, o candomblé baiano.

Um escritor de alta literatura é um inseto antenado para uma melhor verdade dos tempos. Nesse romance , Umberto Eco, para mim, desmistificou, em definitivo, a inexistência de conhecimentos secretos em qualquer que seja a seita ou sociedade secreta.

Por mais que ansiamos pela sublimidade de um conhecimento elitizante ou que queiramos uma chave maior para esclarecimento das coisas tontas e tortas do mundo, tal conhecimento não é detido por nenhum conspirador nem por entidade secreta alguma, simplesmente porque tal conhecimento, tal mapa alardeado,  tal chave operativa não existe. Não passa de um rol de roupa suja.

Segundo Resumo

Comporta-te como estúpido e te tornarás impenetrável por toda a eternidade. Abracadabra, Manel Tekel Phares, Papai Satã, pó de pirlimpimpim, sempre que uma autoridade emite borborigmos sem significado, a humanidade leva séculos para decifrar sua mensagem.

Os Templários permanecem indecifráveis por causa de sua confusão mental.  p.104

O Pêndulo de Foucault é um dispositivo instalado em Saint-Martin-des-Champs em Paris, em 1855, em que um ponto de suspensão permanece fixo enquanto a esfera de 28 quilos do Pêndulo oscila, provando a rotação da terra.

Umberto Eco utiliza as 10 estações- as sefirotas, as sefiroths- da Cabala judaica para marcar os capítulos nodais de seu romance.

Havia um plano, inventado por nós: Causabon, Belbo, Diatollevi. Iniciava-se o contato com Abu, o Word processor, o Computador: Abulafia. Descobre-se os 720 nomes de Deus.

Todos falam dos Templários e não dos Cavaleiros de Malta. p. 81 ou dos Cavaleiros de Cristo dos portugueses ou  sobre a ordem dos Teutônicos. p. 121

Sistema de decifração – Maçons. Eco passa a enumerar e a descrever  O. Velocino de ouro. Avalon. Lendas Celtas, druidas, arianas. Agartha. Cabala. Magia. Alquimia. Hermes Trimegisto.

Sr. Agliè   p.164   Cagliostro. Ísis. Candomblé dos negros da Guiné, na Bahia.    Umbanda dos negros Bantos angolanos em sincretismo com os índios e os brancos católicos. Exu poderoso na Umbanda.  p.174

O mundo é monótono, os homens não aprendem nada e recaem a cada geração nos mesmo erros e horrores, os acontecimentos não se repetem mas se assemelham, acabam-se as surpresas, a novidade, as revelações. p. 174

 Rosa-Cruzes.

A grande irmandade branca é detida pelos Senhores do Mundo que se difunde por meio do segredo e da dissimulação. Há um segredo que está além das religiões reveladas. De que outra forma para que viver, se tudo fosse assim como parece?   p.198

A Cabala: Geburah ou Pachad, ou Terror. Onde entra o mal. A ruptura dos vasos.

 A volta do Brasil. Os Motocallemim teólogos radicais muçulmanos do Templo de Avicena.  p.204

O Pêndulo de Foucault está firme com a terra que gira embaixo dele em qualquer lugar que se encontre. Qualquer ponto do universo é um ponto fixo, basta prender-se a ele o Pêndulo.  p.228

 Os Altos graus da maçonaria do Rito Escocês antigo e aceito. São profusamente descritos.   p.229

Anuário de todas as sociedades secretas que existem no mundo. p.252/3

Os diabólicos com interesses ocultistas eram legião. p.255.

 O mundo pulula de Templaristas, de rosacrucianos e de maçons.

 Não será deles que se pode esperar uma revelação valiosa. p.334

O que se objetiva é encontrar e dominar as correntes telúricas do poder mundial. A Kundalini. A serpente localizada na porção terminal da coluna vertebral que, uma vez despertada, detém enorme poderio pulsional.

 Alquimia: a obra em rubro.

Os Templários descobriram o Umbilicus Telluris. Seria necessário, contudo, esperar 600 anos para haver o desenvolvimento tecnológico adequado para se assenhorar desse poderio cósmico.. p.430

 

Os protocolos de O Cemitério de Praga estão nas pàginas 460 – 465.

 Toda sua genealogia  já está aqui descrita. E depois encontrei  por acaso, no capitulo 6 – Protocolos Ficcionais, no livro Seis Passeios pelos bosques da ficção. ps. 123 -  147. 1994. Lá está descrito, com antecedência de anos, todo o esquema de urdidura dos Protocolos dos sábios de Sião.

.A mensagem de Provins é um rol de roupa. Eis o que Lia decifra. p.507.

O plano que vocês urdiram é grotesco, está cheio de segredos, porque está cheio de contradições.

O mal de se fingir é que todos nos acreditam.

Como lhes disseram que Deus é complexo e insondável, eles acabam acreditando que a incoerência (e a obscuridade) é a coisa mais próxima da natureza de Deus. O inverosímel é a coisa mais parecida com o milagre. p.574

Há diversos Poderes em ação? Ou há um só Poder, o circulo dos Verdadeiros iniciados? p.525

Um segredo iniciático revelado não serve para mais nada. Belbo para Agliê. p.527

Agliê supunha que a história de Belbo e a nossa fosse verdadeira, queria o mapa. p.532

Garamond também pertence à mesma Cavalaria espiritual. p.536

Misturar as letras do livro significa misturar o mundo . Procuramos refazer nosso corpo por meio da linguagem. p.539

Não havia segredo nenhum. ( eis o cerne da desmistificação absoluta para mim MAB). p.541

Agora estavam à espera de uma revelação.

Estávamos envoltos, enfaixados, seduzidos pelo complô. p.551

Fale ! estamos em Hod, a sefirah do esplendor, da majestade e da glória.

-         Ora, vá destapar o rabo... redarguiu Belbo. p.568

Belbo é enforcado no Pêndulo, digo, teria desenhado no espaço a árvore das sefirot, resumindo em seu momento extremo o próprio acontecer de todos os universos. p. 570

Havia ele próprio se tornado um ponto de suspensão, o Perno Fixo, o lugar no qual se sustém a abóbada do mundo. Belbo havia tido Hod, a sua Glória. Um só gesto impávido o havia reconciliado com o absoluto. p.571

Nada é por acaso. Visões de peixes no aquário do restaurante.

A única maneira de causar constrangimento no diabo é acreditar que não acreditamos nele. p.585

Se deve haver um complô, deve ser secreto. Ele nos levaria à salvação. A condição é não conhece-lo nunca. Revelado, não poderia senão desiludir-nos.

Possuímos uma tensão para o mistério.

O mistério trinitário? Fácil demais, deve haver algo por trás disso.

A cebola é toda uma casca. p.594

A teoria social da conspiração...é uma conseqüência da falta de referência a Deus, e da conseqüente pergunta.

-         Quem está em seu lugar? Karl Popper.

-          A resposta é banal e absoluta: ninguém e nada. MAB

A mensagem de Provins não passava de um rol de roupa. Jamais tinha havido reuniões de Templários na Grange-aux-Dimes. Não havia Plano nem mensagem alguns. p.591

As pessoas têm fome de planos, se você lhes oferecem um, caem em cima como uma alcatéia de lobos. Basta inventar que crêem. Não é necessário aparenta-lo mais imaginário do que de fato é.

Inventamos um Plano inexistente e Eles não só o tomaram por bom, como também se convenceram de que estavam nele desde muito.

Mas se inventamos um plano os outros o realizam, o Plano é como se existisse, logo, passa a existir.

 Se o ser é assim vazio e frágil a ponto de suster-se apenas sobre a ilusão daqueles que buscam o seu segredo, então não há redenção, somos todos escravos, dai-nos um patrão, que o merecemos... p.596

Por que amar o Destino? Se te mata tanto quanto a providência e o complô dos arcontes? p.611

Inventa, inventa o Plano, Causabon. Foi o que fizeram todos, para explicar os dinossauros e os pêssegos.

Compreendi: a certeza de que nada havia para compreender.

 Ainda querem o Mapa.

Matem-me mas o Mapa não existe, não digo, que ninguém aprende a ser esperto sozinho...

Estão cegos à revelação. Malkut é Malkut -  a lei do Reino, onde se exilou a sabedoria. O próprio mistério está no não-ser, nem que seja por um momento, que é o último. Depois recomeçam os Outros.            

 


     Em A Ilha do dia anterior  de  1995, Eco exibe seus conhecimentos como geômetra e como navegador oceânico. Começa a interpelar e a discutir sobre a tão forte idéia de existência de Deus.

Para espíritos melancólicos, para quem todo sinal de sorte é uma promessa de infaustas consequências.  p.20

O infeliz praticava o mal para preencher o seu abandono de órfão, ofendido pelo espetáculo de seus pais, que se esmeravam em cuidados com o outro irmão. p.31

Quando a guerra chega, tudo se estraga. p.36

 A própria composição deste nosso Universo, formado de corpos primordiais fervilhando no vazio. p.43

Ah! A guerra é uma besta feroz. p.55


Sabemos que a alma morre com o corpo.

Preparemo-nos para aquele momento (final) desfrutando a vida que nos foi dada pelo acaso e por acaso.

Senhor, a primeira qualidade de um homem de valor é o desprezo pela religião que nos quer temerosos da coisa mais natural do mundo que é a morte. p.64

Amigos, como podeis chamar piedosa uma divindade que quer a nossa infelicidade eterna somente para aplacar a sua cólera de um instante? Nós devemos perdoar o nosso próximo e ele não? E deveríamos amar um ser tão cruel?

Se a idéia de deus não é conhecida no estado da natureza, deve, portanto, tratar-se de uma invenção humana... p.83

A tarefa de um romance é ensinar deleitando, e suas lições consistem em tornar reconhecíveis as armadilhas do mundo. p.84

O romance deve ter como fundamento um equivoco, de pessoa, ação ou lugar, tempo ou circunstância.

Para entender a Cousa Pensante ou nossa maneira de conhecer o mundo usamos desde Aristóteles, a Trama das Palavras, Idéia Perspicaz, porque é apenas o dom da artificiosa eloquência, que nos permite entender este Universo. p.91

Só a Metaphora, a mais aguda e peregrina das Figuras (da linguagem) é capaz de causar Maravilha, da qual nasce a Deleitação. p.93

A grande maquina do mundo é  infida e afanada pelas nesquicias do Acaso. p.111

Os homens adoram ficar maravilhados. p.116

A maior parte das coisas pode-se pagar com palavras.

Mas se o mundo é infinito, será tanto infinito no espaço quanto no tempo, e será pois eterno; e, se existe um mundo eterno, que não precisa da criação, então será inútil conceber a idéia de Deus.

Encontra o Punto Fijo. É o mistério das longitudes.

 Não há nada como o dinheiro para estimular as boas inclinações.

Cardeal Giulio Mazzarino.    p.186

Não afirmai jamais, aludi sempre: as alusões são lançadas para examinar os ânimos e investigar os corações.

Quem encontrasse uma forma para estabelecer os meridianos seria o senhor dos oceanos! p.216

O Primeiro resultado da criação foi a da Matéria-Prima, informe, sem dimensões, qualidades, propriedades, tendências, puro caos primordial, hylé que não era ainda nem luz nem trevas. p.251

Taveuni ou então Qamea. Ilhas nas Fidji. Mar de Koro. Arquipélago da  Melanésia. 180 graus de longitude. Encaixada na Linha Internacional de Mudança de Data.

Para ouvir histórias é preciso suspender a incredulidade.  P.255

A  Redenção? Um falso argumento.

Porque cada um de nos é aquilo que seus atos criaram. p.429

Todo o globo da Terra nada mais é que um cemitério vivo. p.449

Entrei na vida sabendo que a lei consiste em sair dela. p.451

Iguais a uma vela, começamos a dissipar átomos desde o primeiro instante em que fomos acessos.

A vortilhonar das galáxias. p.456  Expressiva e belíssima frase.

Nada mais sou do que uma relação entre as minhas partes que se percebem, enquanto mantém a relação uma com a outra. p.457

Cada coisa pensa, mas segundo o grau de sua complexidade. p.458

Na vida, as coisas acontecem porque acontecem; e que é só no País dos Romances que parecem acontecer por objetivo ou providência. p.489

Em A Ilha do dia Anterior, o professor, o teórico e o literato Umberto Eco escreveu o romance do romance.

 

Baudolino, de  2001, é uma delicia. Mentiroso contumaz, tudo o que diz é aceito e tomado pelos outros como verdade pura verdadeira. A trama é tecida em torno da busca do Santo Graal. Aquela taça fabulosa na qual Jesus de Nazaré teria tomado o vinho na Ultima Ceia  com os seus doze apóstolos. Essa é umas das lendas especificas da Cristandade.

Umberto percorre os cenários fantásticos descritos pelo imaginário medieval ocidental, com lugares ricamente descritos, habitados por seres que compõem a fauna dos seres imaginados e que, delirantemente fantasiosos, nunca existiram de fato. 

As múltiplas peripécias da busca do Graal leva Baudolino por um rico percurso onde ponteia personagens históricos e seres que nunca existiram.

Por fim, Baudolino descobre que o Graal não passa do prato de madeira onde comia seu pai e que ele, Baudolino, trazia sobre a cabeça.

Mais uma vez, Umberto Eco nos demonstra como a mítica e a mística ocidental é cheia de fantasias e pobre de resolução. Não há, nunca houve, nunca existiu um sagrado precioso escondido Graal. Em Baudolino, um personagem saborosamente  mentiroso é o condutor até uma verdade decepcionante e desmistificadora.

Vamos parar de continuar acreditando em bobagens? Ou não? Ainda nos é preciso acreditar em tonterias?   Talvez.

Pois a vida é dura, é cruez e a medida que vivemos e envelhecemos é cada vez mais chata.

Sumário


            Aos poetas é lícito mentir sobre as coisas grandiosas. 1143-1155, começa a escrever a Gesta Baudolini os cruzados saqueando Constantinopla. 14 de abril de 1204.

Filioque: uma simples palavra motivou os cristãos se esfolarem uns aos outros.

O problema da minha vida é que sempre confundi aquilo que via com aquilo que desejava ver... p.33.

Presbyter Johannes – nestoriano derivado da sabedoria dos reis magos. p.46

Nestório: o cristo possui duas naturezas, a humana e a divina, e também duas pessoas. Maria foi Christotókos, mas não Theotókos.

Os sábios estão surgindo nos studia em Bolonha e Paris, onde transmitem o saber que é uma fonte de poder. p.53. Morte de Oto. 16 anos de idade. p.55

Não há prova melhor para a verdade do que a continuidade dos fatos. Não há nada melhor do que imaginar outros mundos, para esquecer o quanto é doloroso este em que vivemos. Imaginando outros mundos, acabamos por mudar também este nosso. p.92

Relíquias são de origem duvidosa mas o fiel sente a emanação de aromas sobrenaturais. É a fé que as faz verdadeiras. p.102

Os grandes homens são na realidade muito pequenos; o poder é tudo. P109

Ezequiel teve uma visão bêbada e falida do tempo. p.111

A traição está sempre presente. No amor, nos negócios, na política. p.133

Neste mundo não se ganha nada à toa. p.144


Horacio já havia nos alertando quanto a isso.

Mentirás e eu fingirei acreditar em ti, porque mentes sempre para o bem. p.157

Pois aquele que conhece a meta, conhece também o caminho. p.189

Se nossa mente era capaz de conceber uma coisa, aquela coisa certamente existiria. p.201

Eu já me dedicara à mentira. Melhor que me encerres no mundo de meus prodígios onde posso decidir quanto são prodigiosos. p.206

As pessoas acreditam em tudo contanto que se lhes fale dos mortos. p.217

Um basileu pode usar o poder para fazer o bem, mas para conservar o poder deve fazer o mal.

Qual  dessas duas cabeças de João Batista é a verdadeira? p.236

Essas e outras mais, certamente.

O Graal deve ter sido uma tigela feito essa. p.242

Somente praticando o bem podemos consolar nossos semelhantes pela falta de um Pai. p.297

O que é a vida se não a sombra de um sonho que foge? p.311

Seres fabulosos: Ciápodes. p.320. Blêmios. p.322. Panotos. p.323. Circuncelios.

Cada um pensa como quer, mesmo se pensa  mal. p.329

E talvez mandar seja uma paixão muito mais irresistível do que fazer amor. p.338

O Pai é o que de mais perfeito e distante de nós pode existir no Universo. O verbo que o Pai gera após haver criado o mundo não é da mesma substancia que o Pai. É inferior ao Pai. É primogênito, não ingênito. Não é omooisios da mesma substancia do Pai, mas omoisios semelhante mas não igual substância.

Encontra Ipásia. p.359

Os sátiros consideram que o pecado original jamais existiu. Portanto, não é necessária a redenção, e cada um pode salvar-se com a própria boa vontade.

Jesus valeu apenas para dar-nos um bom exemplo de vida virtuosa. p.366

Vivia uma há mil e tantos anos uma mulher virtuosa e sábia chamada Ipásia. Em Alexandria. Foi despedaçada por Cirilo, cruelmente em Alexandria.Depois Cirilo tornou-se Santo Cirilo pela Igreja Católica.

 

Aqui, Umberto Eco esboça conceitos caros e claros do


 GNOSTICISMO:

 Mesmo porque Deus deixou sombras de verdade nas profundezas dos corações de cada um de nós, e trata-se apenas de faze-las reaflorar e resplandecer à luz de sabedoria, assim como se liberta a polpa de um fruto de sua casca. p.371

Por que este Deus nos criou como seres capazes de odiar, de matar, de fazer sofrer os próprios semelhantes. Um Deus justo teria destinado seus filhos a tanta miséria? Por que nos criou, para depois expor-nos ao risco da perdição? p.375

Deus criou os anjos e a serpente com a possibilidade deles rebelarem-se contra Deus. Encontrou o mal ao seu lado, como a parte obscura de si mesmo.

Ipásia descreve Deus. p.376. Núcleo do livro.

 Deus difunde-se em Eóns: anjos, arcanjos. São emanações. Como o fogo, ele se enfraquece até desintegrar-se na multiplicidade e na desordem. Um dia Deus não mais – sete vezes sete mil vezes o  conseguiu – Conseguiu controlar uma de suas potências intermediarias, que nos chamamos o Demiurgo. Este criou o tempo. O tempo é uma eternidade que gagueja. Criou o ar, a água, a terra, o fogo.

Errou tudo, pobre Demiurgo.

Então o mundo é uma doença de Deus?

Se és perfeito, não podes emanar, se emanas adoeces.

Deus perdeu o controle sobre os opostos, onde um bem combate outro bem. Eis o mal. p.378

Apesar do erro, uma parte do Único permaneceu em cada um de nós. Devemos encontrar a harmonia entre os opostos, devemos ajudar os deuses, devemos reavivar estas centelhas, essas lembranças do Único, que jazem ainda sepultadas em nossa alma e nas próprias coisas. Cada um de nós é habitado por um Deus menor.

Você é meu Éon, meu Tirano, meu Abismo, minha Ogdoade, meu Pleroma... p.390

Um inimigo derrotado, se sobrevive, prepara cedo ou tarde uma vingança. p.396

Eu já fora avisado que o Demiurgo fazia as coisas somente pela metade. p.402

É muito fácil prometer o que ainda não se tem. p.414

Hóspede é como peixe, começa a cheirar mal depois de três dias. p.416

Faremos relíquias nunca vistas, porque é delas que se fala e o preço sobe a cada dia. p.417

Não há nada mais injusto do que castigo para o justo que pecou, porque para o pior dos pecadores perdoa-se o ultimo dos pecados, mas ao justo sequer o primeiro. p.431

Durante quase quinze anos, eu trouxera o Greal sem saber.

Devo manter viva a chama de sua procura pelo Greal: essa tigela.

Pedra, taça, lança (tigela) pouco importa. O que importa é que ninguém a encontre, pois, pelo contrário, todos deixariam de busca-la. p.441

A gente sai pelo mundo buscando uma coisa que não existe. As coisas que realmente contam são aquelas que já existem, mas não deves mostra-las a todos, porque a inveja é uma besta medonha. p.441

Fazes uma imagem e depois outros inventam o que significa.

 As coisas deste mundo são como devem ser. p.455

Tenho três dividas a cumprir.

Nós da Frascheta temos a cabeça mais dura que uma pedra.

                                              Viajar rejuvenesce. p.457

 Baudolino foi seguindo para o reino do Preste João...     

 

 

Daí os Seis Passeios pelo bosque da ficção.

Todo texto é uma máquina preguiçosa pedindo ao leitor que faça uma parte de seu trabalho.9

         Um bosque é um jardim de caminhos que se bifurcam. 12

         O sonho é uma segunda vida. 21    

É ótimo espiar a vida pelo buraco da fechadura. 23

Não se pode recuperar a idade da ilusão. 37

Nevoa – neblina

Nerval empregava o tempo verbal imperfeito, que apresentava a vida como algo efêmero e passivo para inspirar vaga tristeza em seus leitores. Criava efeitos nebulosos. 48

Melancolia é o mais lídimo dos tons poéticos.

Poe buscava um eixo em torno do qual pudesse gerar a estrutura inteira da composição. Encontrou isso no refrão. 51

A morte é o tema mais melancólico: a morte de uma bela mulher jovem. Daí  – O Corvo: Nunca mais!  O grande poema de Edgar Allan Poe.

Desfamiliarização.  62

Jackson Pollock  65

Manzoni descreve o mundo como alguém que olha-o de cima, como Deus, o Grande Geógrafo.79

Para ler ficção, Coleridge chamou de suspensão da descrença.

Fingimos que o que é narrado aconteceu. 81

O Pêndulo de Foucault está cheio de mistérios verdadeiros e falsos. 82

Kafka 84

O mundo real é o pano de fundo correto para estabelecer o mundo ficcional. 91

A função do mito é encontrar uma forma no tumulto da experiência humana. 93

Verdade: o que é.

Divisão linguística de trabalho erigindo crenças na verdade. 96

A Enciclopédia Total descreve o que representa uma imagem satisfatória do que chamo de mundo real. 96

Somos tentados a dar forma à vida através de esquemas narrativos. 105

Existia Ceilão e Taprobana. Héspero é a estrela da manhã. Fósforo é a estrela Vespertina - É Vênus.111

Saga é corpo ficcional.113

Pessoas tentam imaginar uma divindade empírica.121

Folhetim finge brincar e no entanto nos mostra o mundo como realmente é. 124

Você está prestes a acordar quando sonha que está sonhando – Novalis .131

Um filme, uma obra Cult é porque há uma forte desconexão nela.

 Bíblia é desconexa.  Desencaixada.

Hamlet é a Mona Lisa da literatura. 134

Esquemas de ação  frames-quadros.

Ninguém vive no presente imediato: ligamos coisas graças a nossa memória pessoal e coletiva.  136

Aleph – o ponto que contém o universo inteiro. 137 Borges.

Conta história espantosa dos Templários, Rosa Cruzes.

Maçonaria francesa  possui um ramo escocês.

Iluminados.  Carbonarios. Protocolos dos sábios de Sião é fruto da França Oitocentista. 144 A genealogia está no capitulo 6.

Ficção é forma de terapia contra o sono da razão que gera monstros.

 A vida é cruel.

A misteriosa chama da Rainha Loana.

 Neste romance de 2005, Umberto Eco atribui ao personagem um acidente vascular cerebral que lesa estruturas cerebrais especificas, com perda de parte de sua memória afetiva e acarreta o desconhecimento da sua identidade biográfica. Mantém-se preservado contudo, a capacidade de reconhecimento de sua trajetória como homem que recebeu milhares de influências culturais. O personagem mergulha na busca de um riquíssimo acervo de gibis, gravuras, livros,  jornais, cartazes, filmes e até mesmo lembranças. Foi assim traçando um intenso panorama  iconográfico dos anos 1930, 1940, 1950 na Itália.

         No romance o personagem está impregnado de catolicismo tradicional, mergulhado ao ambiente do fascismo de Mussolini, atravessa os miseráveis anos da  Segunda Guerra Mundial e desemboca na ascendente influência cultural norte-americana na Itália dos anos 50.

         As ilustrações do livro – romance ilustrado –, exibe o enorme cabedal de iconografias colecionadas e pesquisadas por Umberto Eco. Muitas delas, comuns a nós, brasileiros.

         A misteriosa chama é uma expressão que o enfeitiçara, ligada ao doce nome de Loana, imersas numa sexualidade desabrochando no adolescente e que é revivida com uma aura de enevoada de encanto.

 Em resumo, um história bobíssima.

         Nesse passeio pelas vicissitudes de estados de consciência prejudicados por peculiar lesão biológica, aflora a consciência critica de Umberto Eco através dos diálogos entre o personagem desmemoriado e seu amigo Gragnola. Este denuncia Cuore , de De Amicis como sendo um livro fascista antes da hora.

são pessoas como De Amicis que abriram caminho para o fascismo. p.341

 

         Denuncia Joana D´arc como uma fascista de primeira ordem. Os fascistas sempre existiram. Desde os tempos...desde os tempos de Deus”.

         Recite os dez mandamentos, entre esses dez mandamentos existem quatro, atenção, não mais do que quatro que aconselham coisas boas. Não matar, não roubar, não dar falso testemunho e não desejar a mulher do próximo. Não matar não se pode nunca, mesmo na guerra que é uma besta imunda.

O prólogo do Gênesis: eu sou o senhor teu Deus é um prólogo vivaldino. Aparece só uma voz sabe-se lá de onde, vem para Moisés e se declara performaticamente, como Deus e pronto. E se não fosse? Tudo começa com um falso testemunho. Deus se revela com um truque e sempre fez assim.

Tem que acreditar na bíblia porque é inspirada por Deus, mas quem falou que a bíblia é inspirada por Deus? A própria bíblia.

 Isso é autoritário, cheirando a falsidade e tramóia. MAB

 

O primeiro diz que não terás outro Deus fora ele, assim esse senhor o proíbe de pensar, sei lá em Ala, em Buda ou talvez em Vênus. Também não se pode acreditar sei lá, na filosofia, na ciência porque podem botar na sua cabeça que o homem descende do macaco. Só ele e basta.

 Exige absoluta exclusividade e promete uma Aliança que jamais cumpre... MAB

Todos os outros mandamentos são fascistas feitos para abrigar a sociedade do jeito que é. Guardar domingos e festas...significava observar os rituais, e os rituais servem para engambelar o povo. Honrar pai e mãe significa que a partir da idade adulta, não se pode pretender mudar o modo de vida da tribo ou da sociedade.

 Não cometer atos impuros, o que são atos impuros? Vai se incomodar as tabuas da lei por causa de umas punhetas? A mim parece um desperdício. Então ficou, pode trepar mas só para fazer neném. Então quando é que se trepa? O que são atos impuros se não aquilo que o poder vigente proíbe ?

Chegamos ao ultimo dos mandamentos, não desejar as coisas dos outros. Não bastava o não roubar?. Em principio esse mandamento proíbe a inveja que, com certeza é uma coisa ruim, ao desejar que o outro que tem uma bicicleta e você não, quebre o pescoço numa ladeira. Contudo, há uma inveja boa, aquela que faz você desejar uma bicicleta e para poder comprar uma, começa a trabalhar que nem um doido, e é a inveja boa que faz girar o mundo. Também tem a inveja da justiça que leva a não aceitar que alguém tem tudo, enquanto tem gente que morre de fome, porque nesse mundo há gente que herda as coisas de graça sem trabalhar e outros, a maioria, que mourejam para sobreviver. A inveja pela justiça é o sol do futuro e o que os leva a combater o fascismo.

 

O mundo é dominado pelo Mal com maiúscula. O Mal viceja e pontua por todo o mundo, o Mal dos males é que o próprio universo está condenado à morte. Não teria sido melhor um mundo sem Mal, assim o mundo é uma doença do universo e dessa doença nasceu o sistema solar e nós, que, para nossa desgraça somos espertos e acabamos descobrindo que precisamos morrer. E assim não somos apenas vitimas do Mal, mas temos que saber disso. Que alegria!

 

Eu creio que deve ter existido uma mente criadora. Deus. Então como acertar Deus com o Mal?  

Ah!, o Mal, disseram as mentes mais sagazes, foi introduzido no mundo pelos anjos caídos. Mas como? Deus prevê tudo e não sabia que os anjos caídos se rebelam?  Ele criou os anjos, ficou satisfeitíssimo, esperou que se rebelassem e os jogou no inferno. Mas então esse Deus é uma porcaria de um hiena.

Outros filósofos pensaram diferente: o Mal não existe fora de Deus, ele o tem dentro de si, como uma doença, e passa a eternidade tentando do mal se libertar. Então como um Deus que tem lá essa doença maligna cria um mundo que será sempre dominado pelo mal? É pura ruindade. O mundo é efeito de sua incontinência, como alguém com a próstata rachada.

 Então ele fez o mundo porque queria, e este mundo se lhe escapuliu, como se escapa o xixi e a porra. Estamos na merda até o pescoço, mas ele também não está melhor do que nós. Se foi o criador do Céu e da Terra, o fez porque é um ser imperfeitíssimo, e ainda construiu estrelas como uma lanterna que se descarrega ao longo de bilhões de anos.

Outros, mais piedosos, alegam que ele fez o mundo para nos colocar a prova e permitir que ganhássemos o paraíso, e portanto a felicidade eterna. Ou gozássemos do inferno. Os teólogos cristãos falam de má-fé, reconhecem que o Mal existe, mas Deus nos deu o mais belo presente do mundo que é o livre arbítrio, podemos fazer o que Deus ordena ou o que o diabo sugere e depois vamos para o inferno é porque não fomos criados como escravos, mas como homens livres, só que usamos mau a nossa liberdade e isso foi uma decisão nossa.

Mas quem  lhe disse que a liberdade é um presente? A liberdade é uma coisa bela entre homem e homem, você não tem o direito de me fazer pensar e agir do jeito que você  quiser e impuser. A liberdade que Deus nos deu é obrigatória, eu sou obrigado a jogar essa partida de bisca, ir para o paraíso ou para inferno sem alternativas.

 E se eu não quisesse jogar?

 Como um Deus bondoso que dizem que é de amor, expõe o homem à tentação? Isso é um presente? Isto é sacanagem divina: eu não queria ter que optar, bastava ficar onde eu estava.

 Melhor não induzir as pessoas à tentação.

 Deus é mau, Deus é o Mal. Com os bilhões de anos, visto que é eterno, Deus ficou mau, se você pensa que Deus é mau todo problema do Mal fica claríssimo.

 Jesus é a única prova de que, pelo menos, nós homens, sabemos ser bons. Como uma matéria boa assim pode nascer de um pai cuja a maldade é tanta? Mas no evangelho você percebe que Jesus no final se deu conta de que Deus era mau. Assustou-se no Monte das Oliveiras e pediu que afastasse dele aquele cálice e necas, Deus não lhe dá ouvidos; grita na cruz, pai, porque me abandonastes, e necas,  Deus estava virado para o outro lado.

Se Deus é ruim, podemos ao menos tentar sermos bons, perdoar uns aos outros, não nos ferir mutuamente, cuidar dos doentes, e não vingar das ofensas. Ajudar-nos entre nós, já que aquele lá não nos ajuda em nada. Jesus é o único verdadeiro inimigo de Deus, nada de diabo. Jesus é o único amigo que nós, pobres cristos, temos.

Eu sou o único que entendeu a verdade, só que para não ser queimado não posso andar espalhando por aí e só contei a você.  P.351

 

A meu ver, esta é a grande reflexão filosófica publicada por  um cristão católico italiano contemporâneo, que se alçou como pensador no mundo moderno. Ele ousa desmistificar a antiquada e inconsistente idéia de Deus,  já em 2005.

Depois Umberto Eco contará de mais outras maneiras.   

Em nossa idade adulta, há um único problema para valer: O MAL.

Como lidar com o MAL e a MALDADE sua, ínclita, pessoal, que majestática, vige e prevalece pelo mundo afora, devastando e derruindo o bem posto?

Neste livro, Eco livra a cara de Jesus de Nazaré como exemplo de pessoa boa, edificante, e, até, luminar. É o que sobrou de seu catolicismo cristão infantil. 

Em 2011, Umberto Eco irá pontificar a MALDADE humana atuando no mundo, com seu personagem, Capitão Simone Simonini, em seu monumental e explicito livro O CEMITÉRIO DE PRAGA.

 

Mas O Cemitério de Praga, quentinho de novembro de 2011, é uma beleza e uma glória.

Um homem odiento, um Caim, invejoso e que detesta tudo e todos, exceto a gastronômica cozinha francesa, o capitão Simonini, é um hábil falsário.

Trabalhando para o Departamento, forjando documentos antigos autênticos, Simonini sofre forte influência do avô católico monarquista, ávido pelo retorno do Antigo Regime, tem como seus educadores jesuítas que o machucam, sofre com a ausência de seu pai, republicano, lutando e morrendo por uma Itália a tornar-se nação.

Suas habilidades de falsário o tornam protagonista da História européia, de 1840 a 1898. Participou das lutas de Garibaldi na Sicilia, conviveu com os jesuítas, com os carbonários e meteu-se nas lutas políticas acirradas na península italiana. Jovem ainda, no sotão Turinês encontrou o acervo de livros de seu pai. Entre eles, leu  Joseph Balsamo de Alexandre Dumas. Nesse livro Simonini introjetou de vez a idéia de que há um complô jesuíta-maçon para a dominação do mundo. Em curso. Dumas estabelece, em definitivo, os delineamentos e as características de todo complô possível. 

 

Resumo

Sei que amo a boa cozinha.

         Odeio os judeus. O povo ateu por excelência: o bem deve se realizar aqui e não além-túmulo, agem somente para a conquista deste mundo.

         Os alemães: o mais baixo nível concebível da humanidade.

         Francês é preguiçoso. São maus. O italiano é inconfiável. Os padres foram o único governo verdadeiro que tivemos desde os romanos.

         Padres são ociosos.

         A civilização não alcançará a perfeição enquanto a última pedra da ultima igreja não houver caído sobre o último padre. ( Abade Meslier)

         Os homens nunca fazem o mal tão completa e entusiasticamente como quando o fazem por convicção religiosa. 21

         Os piores são os jesuítas e seus irmãos carnais mais confusos, os maçons. Geraram os Carbonários. Depois se tornaram socialistas, comunistas, communards. Thiers os colocou no paredão.

         Odeio as mulheres. Mulheres não passam de sucedâneo do vicio solitário.

         O trabalho me refreia do relaxamento dos costumes. 27

         22 de março de 1897, sou o Capitão Simonini, 67 anos.

 Mouchards são os  informantes da policia.

          Umberto Eco utiliza o desdobramento da Dupla personalidade, para urdir seu personagem complexo : abade Dalla Piccola e Eu.

         Desmemoriamento.

         Charcot               >         Hipnotismo         >                Autossugestão

                  Todos os judeus ricos de Paris tem nome alemão.

 Judeu e alemão é uma mistura que não me agrada.

         É melhor nunca precisar de dinheiro e jamais cair doente.

 Num restaurante, encontra um jovem Froide.

         Freud      >       Cocaína é bom para soltar a língua. Freud reclama que a mãe natureza não me imprimiu a marca do gênio. Descreve a  Trauma sexual de Augustine – Hipnose. Falar, falar, falar, falar. Os sonhos.

         Contribuir para envenenar um judeu com cocaína é uma idéia que não me desagrada.Usa hipnose, falar e falar. Sonhos.

         Não bisbilhotarei os sonhos de meus pacientes, em Viena. Não sou uma pitonisa. Freud. 54

Exatamente  o contrario do que seria considerado: gênio escritor moralista do século vinte e arguto investigador da psique dos homens.

         Me constato tão obeso quanto minha idade já demanda.

         Turim. Falo francês e me considero mais francês do que italiano como todo piemontês. Por isso, considero os franceses insuportáveis.

         Odiei.

         Não é bom ser livre demais, tampouco ter todo o necessário.

 Isso desfibra as pessoas.

 O homem, abandonado a si mesmo, é mau demais para ser livre. 58

A Revolução Francesa foi a conspiração universal dos Templários contra o rei e a Igreja.

Ordem secreta 500 anos desde Jacques de Molay.

Abade Barruel: templários + pedreiros livres  foram conquistados pelos Iluminados da Baviera. Ligados a eles, os da Enciclopédia –  os das Luzes franceses  e os do Esclarecimento dos alemães, dando origem aos Jacobinos. Meu avô foi o primeiro a perceber essa trama. Na carta a Barruel, o avô derrama-se  em ódio e fel sobre os judeus. 60

Mordechai. Marrano. Ódio, vingança.

Os judeus inventaram os franco-maçons, perseguidores e perseguidos pelos jesuítas. Tornara-se (delirante) um superior desconhecido e oculto comandando as lojas de Nápoles  a Londres.

Por meio da usura, em um século, tornariam donos do mundo.

Um jesuíta diz uma coisa e faz outra, faz essa coisa e diz outra. 68

Coisa banal que todos nós procedemos. MAB

A vocês, jovens, confio a tocha do testemunho

Eis o legado do avô.

 Judeus usam sangue de crianças cristãs em seus ritos. Tinha então , 14 anos. Humilhado por uma filha de Sião, ao ser cantada por ele: non monssie – meus senhor, e sim gagnu- fedelho.

 É o jesuitismos que substitui os bons de espírito livre pelos tristes e pelos vis.

Meu pai relata as idéias de Gioberti tomadas de 2ª mão com o romance de Eugene Sue “ O Judeu Errante ”.

Meu pai queria a Itália Nação. Meu avô, não.

Dumas 1848 annus horribilis. Pio IX

Luiz Felipe caiu – Republicanos enrolam as vísceras no pescoço e o estrangulam.

Biarin : café, leite e chocolate. Mas o que me dava prazer era parecer um outro, vestido com as vestes jesuítas do padre Bergamaschi.

Pai morto em junho de 1849.

Pai deixou  tomos como  Joseph Balsamo, de Dumas.

 Cagliostro organizou um embuste, um complô político à sombra da maçonaria universal.

Monte Trovão   1770 é o cenário que Dumas criou.

Provas maçônicas de ordem mínimas  para expulsar da terra o Impuro, ou seja , o Trono e o Altar.

Dumas descobriu a Forma Universal de todo complô possível. 89

Quanta gente por ai vive pensando estar ameaçado por uma conspiração...

A cada um o seu complô.

O que aspira cada um? Ao dinheiro para exercer poder sobre o outro, vingar os agravos, achar a quem atribuir o projeto de sua ruína.

Pessoas só crêem ( só compram) naquilo que sabem. E essa é a beleza da Forma Universal do Complô. 90

Em1855, eu tinha 25 anos.

Simonino se tornou cada vez mais incapaz de alimentar sentimentos diferentes de um sombrio amor a si mesmo. 97

Contatos com os senhores do Departamento.

Cavalier Bianco propõe destruir jovens Carbonários e Rebaudengo.

Carbonários estão subordinados à Alta Venda – Seu chefe era Nubius.

Fiz patifarias a patifes. 109

Sue em “ Os Mistérios do Povo” expunha a carta do Padre Rodim ao  geral dos jesuítas, Padre Roothaan, na qual o complô era exposto tim-tim por tim-tim.

Os agentes do governo querem apenas idéias claras, simples, branco e preto, bons e maus devem ser só um.

Encontrei belas gravuras do cemitério de Praga.

1860.

Os chefes com demasiado fascínio devem ser decapitados logo.

 Trata-se do glamoroso Garibaldi  132

Ao desembarcar, você incendeia as embarcações e vai em frente, não pode mais se retirar.

As guerras constituem a saída mais eficaz e natural para frear o crescimento do numero dos seres humanos. 145

 - O senhor é um paspalhão.

Aos 30 anos fiz a guerra para me distrair de um mundo que não amo.159

Simonini, o senhor não acerta uma.

Se eclipsa para Paris. 174

Mostra-se imêmore de si. 187

Maurice Joly inspira-se em Sue , ou seja, na carta que  Padre Rodin enviara ao Padre  Roothaan em “ Os mistérios do povo”. 189

Joly analisou fatos que estão a vista de todos, perpetrados por Napoleão III.

Alemães inventaram os palitos de fósforo. 200

Ninuzzo o achou após seis anos. 203

 

Uma noite em Praga. 209

Eu gosto dos descrentes.

Bíblia: uma história de incestos, de massacres e de guerras selvagens, em que só se triunfa pela fraude e pela traição.

Disraeli em Conninghy afirma que os judeus se preparam para dominar o mundo.

Lagrange apresenta o russo Coronel Dimitri.

O Kahal – Estado Judaico dentro de cada país.

Brafman – judeu.

O espírito talmudico é animado por uma ambição desmesurada de dominar o mundo.

O documento deve ser ex novo, não mostrar o original mas falar por ouvir dizer.

Quantia já acumulada pelos judeus europeus:  2 bilhões de francos, 600 francos por cabeça para 3.5 milhões de judeus que vivem na Europa. Não ainda o suficiente para destruir 265 milhões de cristãos.

Para odiar alguém, não é preciso falar com ele. Nem como ele. p.221

Primeiro encontro com o Abade Dalla Piccola.

 Caracteristas e qualidades especificas e defeitos dos Judeus – usura, longevos, poupados da epidemia  de  peste e de cólera. Povo porco e só se casa consanguineamente. Cometem  infanticídio de cristãos.

 No meu cemitério da Praga... sinedrio dos rabinos. ps.. 226; 229

 Pretendem Reinar sobre a terra, como foi prometido a nosso pai Abraão. Recebemos os frutos da riqueza, do  gozo, da felicidade e o desfrute do poder, afim de compensar a condição odiosa que, por longos séculos, foi a única sorte do povo de Israel.

Isso por que a Aliança oferecida por Javé desde Moises, jamais foi cumprida por esse deus fanfarrão e omisso. Os descendentes dos hebreus, depois tornados judeus após o século II da era comum, persistiram fincados na patranha de ser um povo especial, eleito dentre dezenas de outros povos igualmente legítimos e valorosos. Passaram a atravessar séculos na vã expectativa da vinda salvadora de um Messias vingador e polipotente, capaz de dar-lhes a grandeza  e o poderio que jamais tiveram desde Salomão. MAB

 Paixão irrefreável e profunda de ódio aos judeus.

Biarritz – Dimitri russo 50.000 francos.

Melhor previnir e castigar antes que os crimes sejam cometidos. Os atentados aleatórios serve para manter preocupados os burgueses.

Munique.  Stieber – Goedsche – escrevia com o nome de Sir John Retcliffe. Um canalha – Biarritz tratava dos acontecimentos italianos de 1860. Três forças dominam o mundo: os maçons, os católicos e os judeus contra a pureza da raça protestante teutônica.

O perigo deve ser um só, para não distrair as pessoas. Libertar a estirpe tedesca da insidia judaica.

Arbeit mach frei – só o trabalho liberta. Lema nos pórticos dos campos de extermínio dos nazistas alemães.

Há sempre um lema digerível, palatável, ornando uma instituição de perversidade humana.

Lutero queria expulsa-los da Alemanha como cães raivosos.

Paulo era  judeu asiático, um turco.

Celtas romanizados tornaram-se franceses latinos. Só os germânicos conseguiram se manter puros, incontaminados e capazes de debilitar a potência de Roma.

Por que afinal deve-se dizer sempre a verdade?

Abade Dalla Piccola –O senhor me tomou por um pateta.

 Matou-o. 

A cada 10 ou 20 anos há uma revolução ou tumulto em Paris. O povo parisiense adora fazer barricadas.

O aspecto mais irritante de um homicídio é a ocultação do cadáver.

Demônios   -   Apunhalar a hóstia para selar um juramento.

-  Inventos da época: A luz elétrica  -    cigarros - elevador –

                                         carne enlatada – telefone –

     vaso sanitário – submarino.

Critica acidamente todos esses vantajosos inventos ocorridos no último quartel do século 19.

Lagrange pergunta pelo Abade e intimida Simonini.

Guerra franco-prussiana em 1870. Emprego de pombos correios.

Napoleão III aprisionado. Queda do Império. Republica. Fome em Paris.

Marco – Comuna de Paris.  Thiers em Versailles.

Paris possui subterrâneo emaranhado de cavernas de calcário, cré e antigas catacumbas.

Hébuterne  é o novo homem dos Serviços Gerais.         

  Lagrange morto, misturado aos cadáveres de comunards massacrados..

Quando se falha em alguma coisa, sempre se procura alguém para acusar a própria incapacidade.

Protocolos 18

Como era bela a paz, depois de um banho sacrifical.

 Em 1876, como Tabelião, começou a redigir o discurso do rabino para cada possível comprador interessado.

Padre Bergamaschi jesuíta o induziu.

Em 1878 desaparecera Goedsche e Joly metera uma bala na cabeça.

Joly – Chega em um momento em que alguma coisa se despedaça dentro de nós e não temos mais energia ou vontade. Dizem que é preciso viver, mas viver é um problema que com o tempo conduz ao suicídio.

 Osman Bey fanatico judeu

Thiers era judeu? E quem não é?

A solução final: o extermínio de todos os judeus.

1880 -  Salão de Juliette Adam – Juliana Glinka - Rachkovsky. Okhrana.

Melhor aparentar ser espião, não possuir nenhum segredo, mas ostentar possui-lo. Era como viver de rendas ou gozar proventos de uma patente.

Hébuterne fala de Taxil.

Vantagem de converter um escritor anticlerical empedernido em um convicto católico , capaz de renegar suas obras anteriores e passasse a denunciar todos os segredos do mundo maçônico, e os senhores, jesuítas teriam ao seu serviço um propagandista implacável.  P.317

Simononi se apresenta como o Tabelião Fourrier.

Taxil espalhou a história falsa porem acreditada dos tubarões em Marselha 1873.

 Revelou a falsa descoberta de restos de cidade romana no fundo do lago Leman.

A principal característica das pessoas é que elas se dispõem a acreditar em tudo. Aliás, sem a credulidade universal, como a Igreja poderia ter resistido por quase 2 mil anos?  p. 315

Não sei se eles acreditam realmente nesse Grande Artífice do Universo de que eles vivem falando, mas certamente levam a sério suas liturgias.

Cada um é livre para reconhece-lo como o Deus Cristão ou como uma força cósmica impessoal.

Uma mística é uma histérica que encontrou seu confessor antes do seu médico. 334

Du Maurier - Diana _ Charcot.

A maçonaria... apunhalava  hostias sacras ao fechar contratos e praticava várias formas de missas negras.

Mísula – suporte de ornamentos.

Paladismo. 340

Publico quer mais por pura paixão narrativa. 345

Taxil ou Bataille saquearam toda a literatura precedente com o Bafomé de sempre.

Cristianismo é a “histeria da cruz”.  346

Não existe nada mais inédito do que aquilo que já foi publicado.

Com a magia se pode agir a distancia. Com o Dagyde. Boneca mágica de cera capaz de exercer malefício sobre as pessoas à distancia, Feitiço. p. 352

A espontânea desconfiança antijudaica tornava nova a doutrina, como o cristianismo ou o idealismo, o filão do antissemitismo.

Dreyfus. 353

Basta falar sobre alguma coisa para faze-la existir. 358

Doze anos bem vividos.

 Victor Hugo transformado em monumento de si mesmo.

Froide        A. Daudet.               M. Heléne Blavatsky.

Confia em que tudo o que te foi prometido se realizará. Mesmo quando estiver disperso sobre toda a face  da Terra. 362

 Promessa de  Aliança  proferida por Javé, jamais sequer remotamente cumprida.

Marx: “ Um fantasma ronda a Europa”. No Manifesto comunista elogia a burguesia como a nova classe revolucionária que faz brotar das próprias vísceras seus coveiros, os proletários. P.362

Dostoievski justifica os judeus como complô que permite a sobrevivência deles e em seguida, os denuncia como o inimigo a eliminar.  Era um visionário.

Judeus não abandonam a idéia arrogante de que virá um Messias que, com sua espada, submeterá todos os povos.

Jamais se deve servir ao patrão atual e sim preparar-se para o seguinte.  369

É conveniente que o povo dirija suas insatisfações a um inimigo

 ( extremo, longuínquo, para preservar Deus e o governante e, também criar uma cortina de repressão para que não perceba sua mediocridade e sua incompetência pessoal e coletiva. MAB.)

É necessário um inimigo para dar ao povo uma esperança. Um rival, um contendor, um adversário é fator de emulação para o crescimento pessoal . MAB.

A identidade nacional é o ultimo recesso dos deserdados.

 Variação da celebre frase: o patriotismo é o último refugio dos canalhas.

O ódio é a verdadeira paixão primordial. O ódio aquece o coração. Pode-se odiar por toda a vida. 370

 Melanie Klein talvez seja a primeira psicanalista que descobriu isso. Depois vieram Fairbairn e Winnicott na mesma assertiva. E também, sobretudo, Luba Szondi.

A glória  ariana é a literatura. Não é a musica, onde há expoentes judeus.

Judeus vivem mais 53 anos enquanto a media dos cristaõs é de 37 anos. Vivem na fabula messianica da antga Aliança.

Jesus era Celta.

Nada melhor que a policia para estimular paixões belicosas nos estudantes. 385

Simonini ganhou mais dinheiro em 1894.

O acaso deve ser sempre ajudado.

Drumont é antimaçom, antijudeu, antissemita erótico. 372 e 401

Tipos de Maçonarias. 402

Haborym apareceu com três cabeças.405

Havia campo para explorar a credulidade e a estupidez insondável dos católicos.

Uma noite na missa. 24

A idéia de um diabo de três cabeças, que se banqueteava com o chefe do governo italiano, era difícil de digerir. 414

, aquele éon que os cristãos chamam de Jesus Cristo. p.418

A missa negra. 419

Charivari. 422

Singulto  ( soluço, suspiro)                                          descingido.

Muliebre  caverna.

A mamãe era judia. 427

Nunca serei pai de judeu. 428

 Talvez houvesse cindido sua personalidade justamente para criar um interlocutor (arrisca o narrador). 439

Taxil mentiroso: Ninguém é filho de Marselha à toa.

 

A solução final, 10 de novembro de 1898. p. 443

Faz um ano que me livrei de Diana, de Taxil e de Dalla Piccola.

A espionagem ( e a contra espionagem) são coisas sérias demais para serem deixadas aos militares. 451

Variação daquele advogadozinho Clemenceau, que durante a Primeira Guerra Mundial expletou tão acertadamente:

 A guerra é importante demais para ficar só nas mãos dos militares.

Difundir o pensamento dos filósofos ateus para desmoralizar os gentios. Devemos cancelar o conceito de Deus das mentes dos cristãos, substituindo-o por cálculos aritméticos e necessidades materiais.

O povo não se dá conta, acorrentado que está ao trabalho e à pobreza. 452

Já tenho material suficiente para montar aqueles que chamaremos de Protocolos da Reunião dos Rabinos no Cemitério de Praga. 457

20 de dezembro de 1898.

 Diário interrompido.

Há uma melancolia do dever cumprido, mais vasta e impalpável. Conclui o trabalho de uma vida iniciado com a do Balsamo, de Dumas, no sótão Turinês.

Tenho 68 anos, Bergamaschi deve estar agora com 85.

 Como se a vida fosse uma coisa feia como num mutilado de guerra tocando flautim para esmolar. 462

É que estou vivendo como aposentado, ou sobrevivente. 464

Construí um espaço mágico, o centro escuro e lunar do complô universal. O Cemitério judeu de Praga. 465

A que se devia a sensação de vazio que eu tinha havia semanas, se não ao sentimento de não ser mais um protagonista? 467

Apenas o ódio aquece o coração. 471

Percebo haver existido somente para derrotar aquela raça maldita.

Um bom paranóico vive para pretender e acreditar  que é participe de um belicoso PLANO de extermínio daquilo ou daqueles que, por vicissitudes, passou a odiar. MAB

 Preparei uma bomba que marcará época.

 Que diabo, ainda não estou caduco.

 

Simone Simonini ele ainda está entre nós.

Como quer crer  o Cristo da Igreja Católica. Forma lapidar de fechamento em abertura para outro novo romance...MAB

              

 

A douta coleção de ensaios que compõem Viagem na irrealidade cotidiana é de 1984.Trata-se de uma coleção de seis conjuntos:

 

                  Viagem pela hiper-realidade.

                  A nova idade média.

                  Os deuses do subsolo.

                  Crônicas da aldeia global.

                  Ler as coisas.

                  De consolatione philosophiae.

Mostra o ensaísta, político cidadão do mundo elaborando inteligentes ensaios.

Sobre os espelhos é de 1989. Igualmente incisiva coletânea de ensaios sobre a atualidade, colecionados em 5 blocos:

                  Modos de representação.

                  Entre a experimentação e consumo.

                  Conjeturas sobre mundos.

                  Entre poesia e prosa.

                  Discurso sobre as ciências humanas.

 

Em 2004, Umberto Eco publica A História da Beleza. Ilustrada por centenas de obras-primas de todos os tempos no ocidente, nele estão as diversas e múltiplas idéias de Beleza, escoltadas por textos de literatos, poetas e sábios descrevendo e considerando a Beleza. Trata-se de magnificente acervo de formas de Beleza vigentes em diferentes épocas, indo do singelo ao sublime. Eco apreende o Belo como epifania da alma das coisas desse mundo em um êxtase estético materialista.

 

No mesmo diapasão, com idêntico viés, Umberto Eco publica em 2007

 A História da Feiúra. A extensa coleção do feio através dos séculos é mais instigante e imprevisível do que se pensa habitualmente.

A horrorozidade da imaginação humana comparece com suas deformações, anomalias, desarmonias, loucos, demônios, horrendos, vis, abjetos, ignóbeis, o intolerável e o repugnante, animais e seres fantásticos, inconcebíveis. Umberto Eco presta elucidativa homenagem á estética do feio e do escabroso, nossa menos cara dimensão humana.

 

A Vertigem dos listas aparece em 2010. Neste livro ricamente ilustrado, Umberto Eco dá razão a sua mania de enumerar à exaustão as coisas pertinentes pertencentes à identidade de nossa cultura. Dos bestiários às entidades mitológicas, das coleções de arte aos catálogos indicativos, das coleções naturalistas à história de literatura e do colecionismo de elencos de variedades úteis, Umberto expressa sua mania de citar múltiplos fatos e objetos. Trata-se de uma arguta estética do coletivo que enriquece nossa civilização.

Há ingente necessidade de estabelecer padrões para por ordem no caos. A fixação humana nos cadastros, coleções, catálogos mostram que as listas são um componente ordenado da cultura de um povo. A internet, diz Eco, está se tornando a mãe de todas as listas.

 As listas não tem fim. Nossa vida, sim!  

 

Nota: Em 2013 Umberto Eco publica Confissões de um jovem romancista, São Paulo, pela Cosac Naify. Nele descreve  etapas e o os processos de sua criação como romancista.

Revela que  levou oito anos  para escrever O Pêndulo de Foucault, quatro anos para Baudolino, dois anos para O nome da Rosa . E anuncia seu deleite pela congérie, que culminou com A vertigem das Listas.

 

Belo Horizonte, 2 de abril de 2013.

 

 

 

Marco Aurélio Baggio –  Cadeira nº 10

Nenhum comentário:

Postar um comentário